O Brasil está entre os cinco maiores produtores de leite do mundo. Depois de quase uma década estacionado perto dos 35 bilhões de litros anuais, o país voltou a crescer e hoje produz entre 36 e 37 bilhões de litros por ano.
Números que, à primeira vista, deveriam colocar a produção nacional em posição de força diante dos concorrentes internacionais.
Mas não é isso que acontece. Diariamente, o Brasil importa entre 6 e 7 milhões de litros equivalentes de leite — principalmente leite em pó e muçarela vindos da Argentina e do Uruguai. As exportações brasileiras, por sua vez, seguem em patamar muito mais modesto: entre 3 e 5 milhões de litros por mês.
A explicação para esse descompasso, segundo Jônadan Ma, presidente da Comissão Nacional de Leite da CNA e presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg, está no chamado Custo Brasil. Em entrevista ao Itatiaia Negócios Cast, o produtor rural afirmou que produzir leite no país ainda é mais caro do que em concorrentes internacionais importantes, o que reduz a competitividade da cadeia nacional mesmo diante de um volume de produção robusto e de tecnologia capaz de rivalizar com os principais mercados do mundo.
Há ainda um segundo problema, na avaliação do dirigente: parte do leite importado chega ao Brasil com preços inferiores aos praticados nos próprios países de origem. Para Jônadan Ma, essa prática configura dumping e cria uma concorrência desleal para quem produz em território nacional.
“Nós não queremos privilégio. Queremos condições de competir em igualdade”, resumiu o presidente da Comissão Nacional de Leite, ao defender que o governo adote medidas para conter essa prática e restabelecer o equilíbrio na disputa por mercado entre produtores brasileiros e estrangeiros.
O dirigente também associa o fortalecimento da produção nacional a uma pauta mais ampla: a redução da dependência de importações e o reforço da segurança alimentar do país. Na avaliação dele, quanto mais o Brasil depender do mercado externo para abastecer sua demanda por lácteos, mais vulnerável fica a variações que estão fora do controle do produtor.
Esse foi justamente o alerta deixado por Jônadan Ma no momento mais direto da entrevista: sem medidas para fortalecer a cadeia leiteira, o movimento tende a se repetir e se aprofundar. Mais produtores deixam a atividade, a produção nacional de leite recua, e o país passa a depender ainda mais da importação. O resultado, segundo ele, é maior exposição às oscilações do mercado internacional e às variações do dólar — fatores que pressionam os custos em toda a cadeia produtiva, do produtor ao consumidor final.
Ao longo da conversa, Jônadan Ma também abordou outros temas ligados ao futuro da atividade leiteira no Brasil, como gestão profissional das propriedades, adoção de tecnologia, sucessão familiar, acesso ao crédito e qualificação dos produtores — pontos que, segundo ele, fazem parte do caminho para tornar a pecuária leiteira brasileira mais eficiente e mais competitiva diante do cenário que hoje limita o setor.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Rádio Itatiaia






