ESPMEXENGBRAIND
6 ago 2026
ESPMEXENGBRAIND
6 ago 2026
A produção de leite no Semiárido passa a contar com uma estratégia que prioriza um dos fatores mais decisivos da atividade 🐄
Semiárido
Entre desafios econômicos e climáticos, uma nova proposta pretende mudar a rotina de milhares de produtores 🌾

Produção de leite no Semiárido passa a ser o foco de uma nova iniciativa voltada aos pequenos e médios produtores, que busca melhorar a alimentação dos rebanhos durante todo o ano e criar condições para aumentar a competitividade das propriedades.

Lançado em Baixa Grande, na Bahia, o Projeto Forrageiras foi desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a Embrapa. A proposta reúne um conjunto diversificado de forrageiras destinado à pecuária leiteira e de corte, além da criação de ovinos e caprinos, com o objetivo de garantir alimentação de qualidade ao longo das diferentes épocas do ano.

Durante o lançamento, o presidente da CNA, João Martins, destacou que o fortalecimento dos pequenos e médios produtores é decisivo para o desenvolvimento da atividade leiteira no Semiárido. Segundo ele, as políticas públicas e a assistência técnica ainda não atendem de forma suficiente esse público, que representa uma parcela importante da produção.

Martins observou que grande parte da produção mundial de leite está concentrada em pequenas propriedades com rebanhos entre 50 e 60 animais, responsáveis pelo sustento de inúmeras famílias rurais. Para ele, reduzir custos e investir em tecnologia são condições essenciais para manter essas propriedades competitivas.

O dirigente também chamou atenção para a concentração de renda na atividade. Segundo os dados apresentados, menos de 10% dos produtores concentram quase 80% da renda do setor. Nesse contexto, afirmou que o projeto pretende ir além do aumento da produção, buscando contribuir para a formação de uma nova classe média rural e para a redução dessa concentração no agronegócio brasileiro.

A alimentação do rebanho aparece como um dos pilares dessa estratégia. De acordo com a CNA, a pecuária leiteira brasileira possui uma vantagem competitiva baseada no uso de pastagens tropicais, que proporcionam custos inferiores aos observados em sistemas adotados em países como Estados Unidos e algumas nações europeias.

No Semiárido, porém, essas práticas precisam ser adaptadas às condições climáticas da região. Por isso, o projeto incentiva o uso de palma forrageira associado à produção de silagem e feno, formando reservas de alimento capazes de reduzir os impactos dos períodos de seca sobre a produção de leite.

Na avaliação de João Martins, a rentabilidade da atividade está diretamente ligada à capacidade de reduzir custos de produção, seguindo referências de eficiência adotadas por países reconhecidos pela produção leiteira.

Além dos desafios relacionados ao clima e aos custos, a cadeia produtiva enfrenta pressão provocada pela entrada de leite importado da Argentina e do Uruguai. Segundo o presidente da CNA, esses produtos chegam ao mercado com apoio de subsídios, dificultando a concorrência para os produtores brasileiros.

Ele destacou ainda que, nos últimos cinco anos, o Brasil registrou redução de quase 20% no número de produtores de leite. Mesmo assim, a produção permaneceu estável ou apresentou crescimento em alguns casos, resultado do avanço tecnológico e do aumento da produtividade nas propriedades que permaneceram em atividade.

Diante desse cenário, a CNA informou que já questionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre os impactos das importações na renda dos pequenos produtores de leite.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Boca Noticias

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta