ESPMEXENGBRAIND
7 ago 2026
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🥛 Um hábito presente em quase toda mesa brasileira esconde um comportamento de compra que pode surpreender a indústria.
Consumo alto, lealdade baixa: uma pesquisa nacional expõe um desafio que toda marca de laticínios deveria conhecer.
Consumo alto, lealdade baixa: uma pesquisa nacional expõe um desafio que toda marca de laticínios deveria conhecer.

O leite e seus derivados ocupam um lugar quase garantido na rotina alimentar brasileira:

72% dos consumidores afirmam consumi-los diariamente ou quase todos os dias, segundo levantamento do Observatório Receiteria com mil participantes de todas as regiões do país. Mas esse hábito consolidado esconde um dado que interessa diretamente à cadeia produtiva: a relação entre consumidor e marca é frágil, e a disputa pela prateleira segue em aberto.

Apenas 11,3% dos entrevistados declararam comprar sempre a mesma marca de laticínios. Do outro lado, 76% se dizem dispostos a experimentar opções diferentes — 39,8% por iniciativa própria, buscando novidades, e 36,2% motivados por uma promoção ou por recomendação de terceiros. Para a indústria e o varejo, o número reforça que a fidelização não pode depender apenas da presença no dia a dia do consumidor: ela precisa ser construída de forma ativa.

Essa disputa se explica, em parte, pelo equilíbrio entre os critérios que levam à compra. O preço foi apontado por 23,6% dos participantes como fator decisivo, seguido de perto por sabor e qualidade (22,2%) e por reconhecimento de marca (21,5%). Os três critérios aparecem praticamente empatados, sem um fator que se destaque isoladamente sobre os demais.

Felipe Paiva Lazarini, sócio do Receiteria, resume o cenário: a categoria mantém presença forte no cotidiano das famílias, mas a relação com as marcas é dinâmica. Segundo ele, isso reforça a necessidade de entender o comportamento do consumidor para identificar oportunidades de comunicação, inovação e relacionamento ao longo de toda a jornada de compra.

Na prática, o consumo diário de laticínios é ainda mais alto do que a média geral sugere: metade dos entrevistados afirma consumir esses produtos todos os dias, e outros 22% dizem fazê-lo quase diariamente. Apenas 3% declararam não comprar esse tipo de item — um universo praticamente cativo em termos de frequência, mas não de marca.

O carrinho de compras também revela quais categorias concentram a preferência do consumidor brasileiro. O queijo lidera, citado por 79,6% dos participantes, seguido do leite (77,6%) e da manteiga (77,4%). Depois aparecem creme de leite (68,8%), requeijão e cream cheese (57,9%), leite condensado (54,5%) e iogurte (54,4%) — um retrato de categorias que já fazem parte do hábito de compra recorrente, mas que, à luz dos outros dados, seguem disputadas entre marcas.

O uso doméstico desses produtos também é expressivo: 61,4% dos entrevistados afirmam utilizar leite e derivados na maioria ou em boa parte das receitas preparadas em casa, com destaque para sobremesas, bolos, tortas, molhos e preparações salgadas — um indicativo de que os laticínios funcionam como ingrediente estruturante da cozinha brasileira, e não apenas como item de consumo direto.

Quanto ao tipo de produto escolhido, a versão tradicional integral ainda prevalece: quatro em cada dez consumidores preferem os produtos convencionais. As versões light aparecem em segundo lugar, citadas por 28% dos entrevistados, enquanto os produtos zero lactose já são consumidos por 25% do público pesquisado — um patamar que mostra a consolidação desse segmento como opção relevante, e não mais nichada.

A pesquisa foi realizada pelo Observatório Receiteria entre os dias 30 de junho e 3 de julho de 2026, com mil respondentes únicos de todas as regiões do Brasil, coletada por questionário integrado ao portal Receiteria e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Revista Mais Leite

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