Um estudo conduzido por pesquisadores do The George Institute for Global Health, na Austrália, encontrou uma associação entre o consumo de gordura láctea e um risco menor de doenças cardiovasculares — um resultado que vai na contramão do discurso que trata a gordura do leite como vilã da alimentação.
O trabalho não se apoiou apenas em um grupo de voluntários. Os pesquisadores combinaram dados de 4.150 pessoas na Suécia com informações de outras 43 mil pessoas que participaram de 17 pesquisas semelhantes realizadas nos Estados Unidos, na Dinamarca e no Reino Unido, reunindo um volume de evidências pouco comum para esse tipo de análise.
A escolha da Suécia como base principal do estudo não foi aleatória: o país está entre os que registram um dos maiores consumos de leite e laticínios do mundo, o que oferece um universo amplo de dados sobre os efeitos desse consumo a longo prazo.
Em vez de perguntar aos voluntários quanto leite, queijo, manteiga ou iogurte eles haviam consumido — um método que esbarra na dificuldade de lembrar com precisão a ingestão de produtos que aparecem em uma infinidade de alimentos do dia a dia —, os cientistas optaram por medir diretamente os níveis de determinados ácidos graxos no sangue dos participantes. Segundo os autores, essa abordagem permitiu obter informações mais objetivas sobre a real ingestão de gordura láctea de cada pessoa.
Os voluntários foram acompanhados por uma média de 16 anos, período em que os pesquisadores registraram quantos deles sofreram ataques cardíacos, derrames ou outros problemas circulatórios graves, além de mortes por outras causas.
Depois de ajustar estatisticamente os resultados para outros fatores de risco cardiovascular já conhecidos — como idade, renda, estilo de vida, hábitos alimentares e presença de outras doenças —, o cenário que emergiu foi claro: quem apresentava níveis mais altos de ácidos graxos no sangue, e portanto maior ingestão de gordura láctea, teve um risco menor de desenvolver doenças cardiovasculares. Esse mesmo grupo, com os níveis mais elevados de gordura láctea, também não apresentou risco aumentado de morte por outras causas.
Os autores do estudo fazem, no entanto, uma ressalva importante: o efeito da gordura láctea sobre a saúde também depende do tipo de alimento em que ela está presente. Queijo, iogurte, leite e manteiga não atuam da mesma forma no organismo, já que cada um desses produtos carrega, além da gordura, outros nutrientes que podem contribuir para uma dieta equilibrada.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Extra






