Uma cooperativa nascida na década de 1960 no oeste do Paraná acaba de superar duas das maiores multinacionais do setor de consumo do mundo.
A Copacol, com sede em Cafelândia, ficou em primeiro lugar no ranking CPG Leaders 100, à frente de nomes como Nestlé e Unilever — companhias com presença global e décadas de operação em escala internacional.
O levantamento, desenvolvido pela plataforma GrowinC, mapeou mais de 21 mil empresas atuantes no mercado brasileiro de bens de consumo de giro rápido. O foco do estudo foi medir a capacidade das indústrias de crescer por meio da co-manufatura — o modelo de fabricação terceirizada e em parceria que vem ganhando espaço nas gôndolas do país.
A metodologia da GrowinC atribui notas de 0 a 100 com base em três pilares: Escala, que responde por 50% da pontuação final; Inovação, com peso de 25%; e Network, também com 25%.
Foi essa combinação que colocou a Copacol isolada na primeira posição, com 85,6 pontos, à frente da Unilever (82,2), da Linea (80,6), da JBS Brasil (80,2), da Native Orgânicos (79,9), da Nestlé (79,8), da Catupiry (79,5), da Korin Agropecuária (77,9), da Mondelez (77,7) e da Mais Mu (75,4), que fecha o Top 10.
Por trás da liderança está uma trajetória construída ao longo de mais de seis décadas. Desde sua fundação, a Copacol se firmou como uma das cooperativas mais relevantes do país na cadeia de proteína animal, com forte atuação na produção de aves, peixes, suínos e também de leite.
Foi sobre essa base produtiva que a empresa passou a construir um portfólio próprio voltado ao varejo, hoje formado por cerca de 50 produtos desenvolvidos especificamente em parcerias de co-manufatura.
O faturamento anual da cooperativa, que somou R$ 11,1 bilhões, é apontado pelo presidente da Copacol, Valter Pitol, como resultado de investimentos consistentes ao longo dos anos. Segundo ele, o modelo de parcerias industriais foi determinante para abrir espaço em novas gôndolas e para integrar de forma mais eficiente a logística de distribuição de alimentos.
O caso da Copacol ilustra um movimento que já é significativo no varejo brasileiro: cerca de 18% dos produtos disponíveis nas prateleiras dos supermercados do país são fabricados hoje por meio de co-manufatura. Essa terceirização estratégica permite que outras marcas aproveitem a infraestrutura, o controle sanitário e a tecnologia de processamento já consolidados pelas grandes cooperativas do agronegócio nacional.
Para a cadeia leiteira e para o cooperativismo agropecuário brasileiro, o resultado tem um significado que vai além do ranking: mostra que uma estrutura erguida no interior do Paraná, a partir da produção primária de leite e de proteína animal, alcançou escala e qualidade técnica suficientes para superar, em critérios de eficiência e capacidade de crescimento, empresas multinacionais consolidadas em todo o mundo.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por nd+






