A pecuária leiteira brasileira voltou a ser tema de debate internacional durante o Seminário Internacional do Leite, realizado na Arena Conexão, dentro do Parque Tecnológico Agroleite, em Castro (PR).
O encontro reuniu cerca de 600 pessoas em torno de um mesmo eixo: como transformar tecnologia e conhecimento em ganhos reais de produtividade e competitividade dentro das propriedades.
Um dos pontos que atravessou as apresentações foi a comparação entre o nível tecnológico do Brasil e o de outros mercados produtores. Lucas Souto, que atua no Canadá como líder global de categoria de Ruminantes da Cargill, levou ao público tendências observadas em diferentes países e as relacionou à realidade brasileira.
Segundo ele, a metodologia da empresa analisa cada propriedade de forma individual, considerando suas características específicas para identificar pontos de melhoria. Ao comentar o cenário nacional, Souto foi direto: “O nível do Brasil, especialmente do Paraná, é muito bom. Temos propriedades altamente tecnificadas e produtivas que não ficam atrás das grandes referências mundiais.”
Essa avaliação dialoga com a análise apresentada por José Luiz Bellini, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, responsável pela abertura do seminário com a palestra “Estrutura, dinâmica e futuro da pecuária leiteira brasileira”. Para Bellini, o país tem potencial para ampliar sua participação no mercado internacional de lácteos, mas isso depende da manutenção de investimentos em inovação e de uma maior articulação entre os elos da cadeia produtiva.
Ele também destacou a aproximação da Embrapa com a Castrolanda e com o próprio Parque Tecnológico Agroleite, parceria que busca ampliar pesquisas e estratégias voltadas ao aumento da produção nas fazendas. “Aqui é um local onde se sonha e se constrói. A pecuária leiteira brasileira tem grande potencial para ser um importante player mundial, e esse é o espaço para discutirmos essa visão de futuro”, afirmou.
Se a tecnologia e o mercado ocuparam boa parte da manhã, o encerramento do seminário trouxe outra camada à discussão: a forma como a atividade leiteira é percebida pela sociedade. Convidado pela patrocinadora diamante Biofarm, o biólogo, apresentador e ambientalista Richard Rasmussen apresentou a palestra “A Trajetória de um Biólogo no Agro Brasileiro”, relatando como o contato direto com produtores rurais, iniciado há cerca de sete anos, mudou sua forma de enxergar o setor.
Rasmussen defendeu que o produtor brasileiro reúne características que raramente aparecem juntas: alta tecnificação e conservação de áreas de vegetação.
“O produtor brasileiro é um dos mais tecnológicos do mundo e ainda conserva áreas de vegetação. Isso precisa ser reconhecido”, disse. Ao falar sobre a cidade que sediou o evento, reforçou: “Castro é a Capital Nacional do Leite. Basta olhar este evento para entender a força do setor. O agro é responsável por alimentar o mundo e isso merece reconhecimento.”
O seminário integrou a programação do Agroleite 2026, que encerrou sua 26ª edição na última semana reunindo 404 expositores.
Além dos fóruns técnicos e das palestras, o evento incluiu painéis, julgamentos de animais, dinâmica de máquinas, a Trilha do Leite, a Rota do Leite, o torneio leiteiro, apresentações culturais e rodadas de negócios — um conjunto que, segundo os organizadores, buscou aproximar produtores, empresas, pesquisadores e instituições em torno do futuro da atividade.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por O Presente Rural






