ESPMEXENGBRAIND
24 ago 2026
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🐄 Instalada sobre um rio na Holanda, ela desafia tudo o que se sabe sobre produção de leite. Entenda como funciona.
🌊 Nenhuma vaca pisa em pasto nesta fazenda — e ainda assim o leite chega fresco à cidade todos os dias.
🌊 Nenhuma vaca pisa em pasto nesta fazenda — e ainda assim o leite chega fresco à cidade todos os dias.

Em Roterdã, na Holanda, existe uma fazenda leiteira que não tem pasto, não tem terra e fica sobre a água.

Construída sobre o rio Nieuwe Maas, a Floating Farm — a primeira fazenda leiteira flutuante do mundo — opera desde 2019 abrigando cerca de 40 vacas da raça Maas-Rijn-IJssel em uma estrutura de três níveis, com 27 por 27 metros e cerca de 2 mil m² de área construída. A produção diária gira em torno de 600 litros de leite.

A ideia nasceu de um problema concreto de logística de alimentos. Os idealizadores do projeto, Minke e Peter van Wingerden, observaram as dificuldades de abastecimento provocadas pelo furacão Sandy em Nova York, em 2012, e passaram a pensar em alternativas para produzir alimentos dentro das cidades, mais perto de quem consome.

Roterdã foi escolhida justamente por sua relação histórica com a água e por sua vulnerabilidade a inundações — a estrutura da fazenda acompanha as oscilações do nível do rio.

O que chama atenção no modelo, porém, é o grau de automação e o aproveitamento de resíduos que sustentam a operação. A ordenha é feita por robôs, e as próprias vacas entram no equipamento voluntariamente quando precisam ser ordenhadas.

O esterco também é coletado por um sistema automatizado que percorre o estábulo e separa os dejetos — um processo que, segundo os responsáveis pela fazenda, reduz em cerca de 60% as emissões associadas ao manejo do esterco. A fração sólida resultante é reaproveitada como fertilizante e substrato para vasos de plantas.

A alimentação das vacas é outro ponto central do modelo. Em vez de depender de pasto ou de insumos importados de longe, a fazenda usa resíduos gerados pela própria cidade: bagaço de cervejarias de Roterdã, farelo de moinhos de Schiedam, grama retirada de campos esportivos, cascas de batata de uma processadora local e outros subprodutos da indústria alimentícia, além de restos de frutas, verduras e pão vindos de cozinhas de empresas e restaurantes.

A proposta é reinserir na cadeia produtiva materiais que teriam valor nutricional desperdiçado — um exemplo de agricultura circular aplicada à pecuária leiteira.

Todo o processamento acontece no próprio local: leite, iogurte, manteiga e queijos são produzidos ali, com parte do espaço abaixo da linha d’água reservada à maturação dos queijos. Isso encurta drasticamente a distância entre produção e consumo, já que a comercialização é concentrada em Roterdã. A fazenda também capta e trata água da chuva para uso interno e conta com painéis solares instalados em uma estrutura flutuante próxima para parte de sua energia.

Mais recentemente, o espaço passou a abrigar iniciativas de agricultura vertical, com cultivo de microvegetais e ervas — e em 2025 o projeto anunciou planos de expandir esse cultivo para aumentar a oferta de produtos frescos a restaurantes locais.

O modelo ainda é experimental, com limitações claras de escala e custo, e seus responsáveis não o apresentam como substituto da pecuária tradicional.

Mas ele funciona como um laboratório real de como automação, reaproveitamento de resíduos, energia renovável e processamento local podem operar juntos — um conjunto de soluções que, mesmo fora do contexto urbano holandês, dialoga diretamente com desafios que a cadeia leiteira enfrenta em qualquer lugar: custo de alimentação, eficiência de mão de obra e redução de emissões.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Compre Rural

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