ESPMEXENGBRAIND
26 ago 2026
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🐄 Menos produtores, mais litros: por que essa mudança na lechería uruguaia deveria estar no radar de quem compra leite no Brasil.
🥛 Um vizinho reduziu tambos, terra e vacas, mas colocou mais leite no mercado — e boa parte dele tem destino conhecido.
🥛 Um vizinho reduziu tambos, terra e vacas, mas colocou mais leite no mercado — e boa parte dele tem destino conhecido.

Quando o Uruguai fecha um semestre com recorde histórico de remessa de leite às plantas industriais, a notícia não fica restrita às fronteiras uruguaias.

Boa parte dessa produção adicional tem endereço certo, e o Brasil está entre os principais destinos.

Os números do primeiro semestre de 2026 mostram 1.025 milhões de litros remetidos à indústria, um crescimento de 10,3% em relação a igual período do ano anterior. Junho sozinho já havia marcado o maior volume da história para esse mês, com 196 milhões de litros, segundo o Instituto Nacional de la Leche (INALE) do Uruguai.

Esse desempenho vem na esteira de um 2025 também recorde, quando o país remeteu 2.212 milhões de litros à indústria, 8,4% a mais que em 2024.

O que torna esse recorde relevante para quem compra, vende ou compete com leite no Brasil é o destino dessa produção. Cerca de três quartas partes do que o Uruguai produz termina exportado, seja como leite em pó, queijos ou manteiga.

E, entre os compradores, o Brasil ocupa um lugar central: junto com a Argélia, os dois países concentraram mais de 60% das exportações lácteas uruguaias em 2025. Em julho de 2026, essa concentração ficou ainda mais evidente, quando Argélia e Brasil somaram aproximadamente metade de tudo o que o Uruguai vendeu ao exterior.

As exportações lácteas do Uruguai somaram cerca de US$ 965 milhões em 2025, um avanço de 13%, e a tendência não perdeu força em 2026: somente em julho, as vendas externas chegaram a US$ 95 milhões, 31% acima do mesmo mês do ano anterior. Esse resultado manteve o setor lácteo como o terceiro maior complexo exportador do Uruguai, atrás apenas da carne bovina e da celulose.

Entender como o Uruguai chegou a esses volumes ajuda a interpretar o que vem pela frente. O país reduziu de forma expressiva sua base produtiva: eram cerca de 3.900 tambos no exercício 2015/16, e restavam 2.978 em 2023/24 — uma queda de mais de 900 estabelecimentos em menos de uma década.

Entre quem remete leite diretamente à indústria, a redução também foi acentuada, de 2.699 produtores em 2017 para 2.135 em 2024. A área dedicada à atividade caiu de cerca de 827 mil para 623 mil hectares, e o rodeo leiteiro passou de 767 mil para 688 mil cabeças.

Ainda assim, o país produz mais leite do que nunca. A explicação está na produtividade: a produção individual por vaca subiu de 4.768 para 5.825 litros por ano, um avanço de 22%, enquanto o remitente médio passou de cerca de 2.000 para 2.600 litros diários. Ou seja, quem ficou na atividade aumentou escala e investiu em genética, alimentação, manejo, tecnologia e gestão — o que resultou em mais litros com menos animais e menos terra.

Essa lógica de escala também se reflete na concentração da própria indústria processadora. Quatro empresas — Conaprole, Estancias del Lago, Lactalis e Alimentos Fray Bentos — recebem cerca de 91% de todo o leite remetido à indústria uruguaia, e as cooperativas respondem por aproximadamente três quartas partes da captação.

Há, porém, um contraponto que também interessa a quem acompanha o setor no Brasil: essa oferta uruguaia depende fortemente de poucos mercados compradores e de um produto concentrado, já que o leite em pó integral responde por cerca de dois terços de toda a elaboração industrial do país. Qualquer mudança na demanda de Argélia ou do próprio Brasil tem peso direto sobre para onde vai essa produção recorde.

Por trás dos números também existe um custo social que ajuda a explicar a pressa por eficiência: em junho, o produtor uruguaio recebeu em média $ 16,9 por litro, 5% menos que um ano antes, com o poder de compra do setor 21% abaixo de sua referência.

Nesse cenário, os tambos menores foram os mais afetados — os estabelecimentos de até 50 hectares caíram de 966 para 711 em sete exercícios —, o que reforça que o recorde de produção e exportação do Uruguai caminha junto com uma redução real de famílias e comunidades rurais ligadas à atividade em departamentos como Colonia, Florida e San José.

*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por eDairyNews Es

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