ESPMEXENGBRAIND
1 set 2026
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🧀 De onde veio o nome "queijista" e por que o setor quer transformá-lo em profissão reconhecida por lei
🧀 Enquanto a lei não sai do papel, o setor já criou seu próprio nome para o profissional que traduz o queijo ao consumidor.
🧀 Enquanto a lei não sai do papel, o setor já criou seu próprio nome para o profissional que traduz o queijo ao consumidor.

O queijo brasileiro tem, cada vez mais, quem fale a sua língua. Desde 2017, quando um grupo de profissionais do setor passou a debater um nome para identificar quem trabalha na venda e curadoria de queijos, a palavra “queijista” ganhou vida própria no mercado — e agora pode virar profissão reconhecida oficialmente.

Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 437/2025, apresentado pelo deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) em fevereiro do ano passado, que regulamenta a atividade. O texto ainda aguarda a designação de um relator.

A proposta define o queijista como o profissional especializado na venda de queijos e na orientação a consumidores em lojas, queijarias, empórios, armazéns e mercearias.

Na prática, esse trabalho já existe há anos e reúne conhecimentos que vão da produção à maturação, passando por conservação, análise sensorial, harmonização e comercialização — um repertório técnico que, segundo quem atua na área, ainda carece de formação estruturada no país.

“O queijista está para o queijo assim como o sommelier está para o vinho e o barista, para o café”, resume Falco Bonfadini, proprietário da Galeria do Queijo, em São Paulo, e um dos responsáveis pela criação do termo.

Bonfadini conta que o grupo chegou a considerar denominações usadas em outros países, como fromager, na França, e cheesemonger, nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas optou por um nome que representasse a identidade brasileira.

O termo surgiu, segundo ele, de uma conversa informal com um motorista de aplicativo, que o classificou espontaneamente como “queijista” ao saber do seu trabalho.

O impacto mais direto da regulamentação, na avaliação de Bonfadini, aparece no varejo. Ele descreve uma prática comum nos supermercados: funcionários deslocados de outros setores, sem qualquer treinamento específico, para atender na seção de queijos. “O funcionário está trabalhando no setor de queijos porque alguém faltou. Aí pegam alguém do setor de verduras e colocam no queijo. Você faria isso com o vinho?”, questiona.

Para Danilo Cavalcantti Gomes, host do podcast Papo de Queijo, o queijista funciona como um tradutor entre produção e consumo, especialmente relevante para pequenas empresas e famílias produtoras que nem sempre conseguem comunicar a origem e a história de seus produtos. “Não basta ter um bom produto se o produtor não consegue posicioná-lo”, afirma.

Gomes defende que a regulamentação exija formação consistente — não apenas cursos rápidos de poucas horas — já que o profissional também assume responsabilidade sanitária ao recomendar produtos que precisam estar registrados, inspecionados e livres de fraude.

Bonfadini, que começou na atividade há 30 anos sem qualquer curso disponível na época, hoje coordena a primeira formação de queijistas do país, criada em Belo Horizonte com módulos sobre legislação, boas práticas, harmonização, administração e marketing.

Tanto ele quanto Gomes apontam que o reconhecimento formal da profissão tende a contribuir para a valorização do trabalho, inclusive salarial — e, por extensão, para toda a cadeia que depende de um ponto de venda capaz de explicar, recomendar e valorizar o queijo brasileiro diante do consumidor final.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Globo Rural

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