ESPMEXENGBRAIND
1 set 2026
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📈 O produtor recebeu mais pelo litro em julho, mas números recentes da cadeia já mostram que a alta pode ter prazo de validade curto.
🥛 Enquanto o preço do leite avançava em julho, outros indicadores do setor já apontavam para um cenário bem diferente pela frente.
🥛 Enquanto o preço do leite avançava em julho, outros indicadores do setor já apontavam para um cenário bem diferente pela frente.

O preço do leite subiu em julho — e subiu bem. Mas quem olhar apenas para esse número corre o risco de perder o que realmente importa neste momento para a cadeia láctea brasileira: os sinais de que essa alta pode não durar.

A “Média Brasil” líquida calculada pelo Cepea fechou julho em R$ 2,8761 por litro, avanço real de 4,65% sobre junho e de 4,96% na comparação com julho de 2025.

É um resultado expressivo, sustentado por uma combinação favorável ao produtor: boa demanda por leite UHT, estoques considerados confortáveis nos laticínios e uma captação que ainda crescia em ritmo lento em algumas regiões. Essa disputa das indústrias pela matéria-prima foi o que empurrou o preço para cima.

O problema é que parte dessas condições já começou a mudar dentro do próprio mês. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 2,38% de junho para julho — um sinal de que a oferta está reagindo, mesmo que o indicador ainda acumule queda de 9,3% no ano. Mais leite disponível tende a esfriar justamente a disputa que sustentou a valorização recente.

Do lado de fora da porteira, o cenário é ainda mais desafiador. O Brasil importou 236,3 milhões de litros em equivalente-leite em julho, volume 9,01% maior que o de junho e 33,49% superior ao registrado em julho de 2025.

As compras externas de leite em pó cresceram 7,54% no mês, e as de queijos avançaram 12,7%. Esse produto chega ao mercado brasileiro exatamente no momento em que a captação nacional volta a crescer, somando disponibilidade sobre disponibilidade — e isso pressiona as negociações entre produtores, laticínios e compradores de derivados.

É na ponta dos derivados, aliás, que a divisão fica mais clara. Enquanto o leite UHT valorizou 7,35% em relação a junho, muçarela e leite em pó perderam ritmo nas negociações no mesmo período. Ou seja: nem toda a cadeia industrial está repassando a mesma força de preço, o que reduz a margem das indústrias para continuar pagando mais pela matéria-prima.

Para o produtor, o lado dos custos trouxe um alívio parcial, mas com data de validade. O Custo Operacional Efetivo (COE) recuou 0,31% em julho, ficando praticamente estável pelo segundo mês seguido. Isso aconteceu porque parte da ração ainda vinha de estoques comprados a preços menores.

Só que milho e farelo de soja já se valorizaram no mês, e o Cepea avalia que esse movimento deve chegar aos preços dos concentrados ao longo de agosto — encarecendo a alimentação do rebanho justamente quando a receita do produtor pode começar a perder força.

O próprio Cepea resume a expectativa: o fim do terceiro trimestre deve ser marcado por recuo nas cotações do leite cru, puxado pelo aumento da oferta interna, pelo avanço das importações e pelo comportamento mais fraco dos preços dos derivados.

Julho, portanto, pode ficar registrado como o pico de um ciclo de alta que já mostrava, em seus próprios números, o início do seu esgotamento.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por AgroRevenda

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