ESPMEXENGBRAIND
1 set 2026
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🐐 Antes de ligar as máquinas, uma fábrica no semiárido paraibano já sabe exatamente quem vai comprar tudo o que produzir.
📦 O que uma fábrica recém-criada no Nordeste tem a ensinar sobre driblar a sazonalidade do leite de cabra
📦 O que uma fábrica recém-criada no Nordeste tem a ensinar sobre driblar a sazonalidade do leite de cabra.

Uma fábrica que ainda não produziu nenhum quilo de leite de cabra em pó já sabe, com precisão de reais, quem vai comprar sua primeira safra.

É o caso da nova linha industrial instalada no Assentamento Che Guevara, em Casserengue, no Curimataú paraibano: antes mesmo de iniciar a operação, prevista para meados de setembro, os governos estadual e federal já garantiram a compra de R$ 6 milhões em leite de cabra em pó, divididos igualmente entre Paraíba e União.

A aquisição será feita pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea, e o produto será direcionado a famílias atendidas por políticas de segurança alimentar. Para uma indústria nascente, isso significa algo raro: entrar em operação com mercado assegurado, sem depender da formação de demanda no varejo ou da negociação com compradores privados.

A fábrica é uma extensão da Nutrilê, agroindústria em funcionamento desde junho de 2023, construída pela Cooperativa de Produção Agropecuária do Curimataú Paraibano (Coopac) — o primeiro laticínio ligado à Reforma Agrária no estado.

Ali já se produzem leite de cabra, queijos e iogurtes, e é sobre essa base que a nova linha de leite em pó foi erguida, com investimento de R$ 5,08 milhões: R$ 1,5 milhão da própria cooperativa para a linha industrial, mais R$ 580 mil para o prédio, e R$ 1,5 milhão de cada um dos governos estadual e federal.

O salto de escala expõe a lógica por trás do investimento. A Coopac nasceu em 2019 e foi formalizada como cooperativa em 2021, com cerca de 30 produtores buscando reduzir a dependência da venda individual de leite.

Hoje reúne 390 associados, com captação em mais de 14 municípios, e fornece iogurte caprino para a alimentação escolar em mais de 20 municípios. Segundo Augusto Belarmino, integrante da direção da Coopac, a fábrica de leite em pó pode alcançar uma rede de mais de 1.800 produtores paraibanos à medida que ganhar escala — seis vezes a base atual.

O problema que a nova linha resolve é operacional: o leite fluido precisa ser vendido ou processado rapidamente, mas a oferta varia ao longo do ano. Quanto mais a cooperativa cresce, maior a dificuldade de escoar os picos de produção só com produtos frescos.

O leite em pó funciona como válvula de escape: permite estocar parte do volume captado nos períodos de maior oferta, sem depender de encontrar comprador imediato para tudo o que entra na planta. A estrutura foi dimensionada para processar até 45 mil litros por dia — ante os cerca de 50 mil litros mensais que a cooperativa comercializava quando o projeto foi apresentado.

O poder público já não era um comprador novo nessa cadeia: o Governo da Paraíba adquiria cerca de 36 mil litros de leite de cabra por mês da Coopac para programas sociais. O que muda agora é o produto — leite em pó, ainda não fabricado — e o volume do compromisso.

Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, a Paraíba tem hoje o melhor desempenho na execução do PAA Leite entre os estados e oferece a maior contrapartida estadual do programa. Para ele, a relevância do leite de cabra também passa pela alimentação: parte da população tem intolerância ao leite de vaca, o que sustenta a demanda pelo produto caprino.

O anúncio foi feito após reunião entre o governador Lucas Ribeiro e Wellington Dias em João Pessoa, e a secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, Neide Nunes, confirmou que a primeira compra de leite em pó já está em curso.

Para uma cooperativa que começou com 30 famílias tentando não depender de intermediários, o ciclo se fecha com o Estado como primeiro cliente de um produto industrial que simboliza justamente a etapa seguinte da cadeia: agregar valor e estocabilidade a um leite que, até pouco tempo, só podia ser vendido fresco.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Movimento Econômico

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