ESPMEXENGBRAIND
1 set 2026
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Um comportamento fora da curva no mercado leiteiro de Mato Grosso do Sul tirou produtores às ruas e chegou à Câmara Municipal 🥛
leite
Escolas, famílias e produtores rurais entram na mesma equação em um problema que a Câmara de MS decidiu não ignorar 🐄

O preço do leite pago ao produtor em Mato Grosso do Sul está caindo justamente no período em que a lógica de mercado indicava o contrário.

Segundo dados da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de MS), o valor recua há pelo menos dois meses: em julho, o litro era pago a R$ 1,0142 ao produtor; em agosto, o número já havia recuado para R$ 0,9803.

A queda chama atenção porque acontece durante a entressafra, período em que historicamente os preços tendem a subir. “A desvalorização vem justamente no período em que se esperava aumento dos preços, em função da entressafra”, explica o presidente do Conseleite/MS (Conselho Paritário entre Produtores e Indústrias de Leite de Mato Grosso do Sul), Wilson Igi.

A explicação, segundo Igi, está do lado do consumo. Mais de treze milhões de desempregados no país reduziram a capacidade de compra das famílias, que passaram a cortar ou diminuir o leite da lista de compras. Sem reação da demanda, o mercado não absorve o produto ao ritmo esperado, e o preço não responde ao calendário da produção.

Essa combinação de fatores é o que levou produtores rurais a se organizarem em torno do movimento “Grito do Leite”, que reivindica atenção do Poder Público estadual para o setor.

Entre suas principais demandas estão: isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para o leite, nos mesmos moldes já aplicados à avicultura; melhoria na qualidade da energia elétrica na zona rural; aplicação de recursos do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de MS); fomento ao melhoramento genético do rebanho, à aquisição de calcário e de máquinas; e a compra de leite e derivados produzidos no próprio Estado para abastecer escolas e programas sociais.

O tema chegou à Câmara Municipal nesta quinta-feira (31), levado pelo vereador Dr. Wilson Sami (PMDB), que dois dias antes, no sábado (26), já havia se reunido diretamente com produtores do movimento.

Na sessão, Sami colocou o problema em uma perspectiva que vai além da planilha de preços: se o produtor não encontra incentivo para seguir produzindo, a oferta cai e o preço ao consumidor sobe — um efeito em cadeia que, segundo ele, pode acabar afetando até a merenda escolar. “Se o produtor rural sofre com a falta de incentivos e deixa de produzir, logo enfrentamos escassez e encarecimento do produto.

Logo, as escolas deixarão de fornecer leite para servir refrigerante às crianças”, alertou o vereador, lembrando que o cálcio do leite é apontado como fundamental para a saúde de crianças e idosos, além de benefícios já associados ao alimento para outros grupos, incluindo o auxílio no emagrecimento.

Mato Grosso do Sul não é um estado qualquer nesse debate: detém o quarto maior rebanho bovino do país, o que torna a pecuária leiteira uma atividade de peso na economia local. Para Dr. Sami, é justamente essa combinação — relevância econômica e impacto direto na saúde da população — que exige resposta rápida do poder público.

“Apoiamos a causa e vamos acompanhar a situação, tanto por sua importância econômica quanto pelo interesse da saúde da população”, afirmou.

O próximo passo já está marcado: nesta sexta-feira (1º), o vereador se reúne com a diretoria da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar) para levar adiante as reivindicações do setor produtivo.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Câmara Municipal de Campo Grande/MS

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