ESPMEXENGBRAIND
1 set 2026
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🥛 Antes de virar queijo, o leite passa por um teste simples que pode decidir o destino de todo um lote em São Paulo.
teste
🧪 Um tipo de fraude é tão comum que universidades de São Paulo dedicam aulas inteiras para ensinar a identificá-la.

Antes de qualquer vaca ser ordenhada mecanicamente em uma propriedade de Salto de Pirapora, no interior de São Paulo, um teste simples decide se aquele leite vai seguir adiante.

É o chamado teste da caneca preta, uma análise visual que avalia a espessura do leite e serve como primeira barreira contra problemas que só apareceriam mais tarde, já na indústria. A explicação é da veterinária Isabelly Dornelas, responsável pelo acompanhamento de um rebanho de 33 vacas da raça Jersey na região.

O cuidado começa antes mesmo da ordenha. As vacas recebem manejo especial para evitar estresse, um fator que interfere diretamente na composição do leite, e sua dieta inclui silagem de milho e grãos, componentes que ajudam a manter o teor de gordura e proteína — atributos que, mais adiante, vão determinar a qualidade dos derivados produzidos com essa matéria-prima.

São duas ordenhas diárias, que juntas rendem cerca de 500 litros. Assim que é coletado, o leite é resfriado a 4°C e mantido nessa temperatura durante todo o transporte até a fábrica.

É na indústria que o controle se torna mais rigoroso. Uma fábrica da região recebe a produção de oito produtores locais e processa cerca de 3 mil litros por dia, volume que abastece a fabricação de queijo fresco, queijo meia cura e do maturado especial Estrada de Ferro — produto que já acumula sete medalhas em competições nacionais.

Nessa etapa, a segurança do processo depende de uma pasteurização eficiente e da ausência de contaminação bacteriana. Quando alguma falha é detectada, o lote inteiro é descartado e não chega a virar produto final, um procedimento que protege tanto a saúde do consumidor quanto a reputação dos laticínios regionais.

Mas o controle de qualidade do leite não se resume ao que acontece na fazenda ou na fábrica: ele também é ensinado dentro das universidades. Em Sorocaba, estudantes dos cursos de engenharia de alimentos e farmácia aprendem na prática a identificar os principais tipos de fraude que afetam o setor.

A mais comum é a fraude econômica, que consiste em adicionar água ou soro ao leite para aumentar seu volume artificialmente. Nos laboratórios, os alunos treinam a selecionar a análise correta para cada etapa da produção, desenvolvendo a capacidade de detectar essas adulterações antes que o produto avance na cadeia.

Para Eduarda Gonçalves, coordenadora do curso de engenharia de alimentos, os testes de qualidade são decisivos para garantir a segurança do consumidor: é a partir dessa avaliação que se define se o leite que chega à indústria está apto para o consumo.

Essa combinação entre manejo cuidadoso no campo, controle técnico na fábrica e formação especializada nas universidades transforma a análise do leite em um instrumento estratégico — capaz de reduzir perdas, prevenir riscos à saúde e agregar valor a um mercado leiteiro cada vez mais competitivo.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Space Money

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