ESPMEXENGBRAIND
2 set 2026
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O resultado reforçou o otimismo para o quarto trimestre, mas os movimentos entre proteínas, gorduras e queijos contam uma história bem diferente 📊
mercado
A alta voltou a aparecer no principal índice global, mas os números de cada categoria revelam um cenário muito mais seletivo 🔎

O GDT voltou a subir e reforçou o viés positivo do mercado global de lácteos.

O Event 411 terminou com alta de 0,9%, marcando o quarto evento completo consecutivo de valorização. O preço médio vencedor chegou a US$ 3.910 por tonelada, com aproximadamente 43.976 toneladas comercializadas.

O número, isoladamente, favorece a leitura de um mercado mais firme. Mas a composição do resultado muda a interpretação. O movimento de alta está longe de ser uniforme: enquanto o leite em pó desnatado (SMP) avançou com força, manteiga, AMF e cheddar recuaram.

É essa diferença que começa a ganhar importância na preparação para o quarto trimestre.

A alta veio dentro do intervalo esperado

Antes do Event 411, a percepção dos participantes consultados pelo Dear Dairy era majoritariamente positiva. Entre 22 participantes, 40,9% esperavam uma alta superior a 2,5%, enquanto 45,5% projetavam avanço entre 0% e 2,5%. Outros 13,6% esperavam queda entre 0% e 2,5%, e ninguém previa uma retração superior a 2,5%.

No total, 86,4% esperavam uma alta.

O resultado efetivo, de 0,9%, ficou abaixo da expectativa média implícita pelo levantamento, calculada em aproximadamente +1,93%. Ainda assim, a direção estava correta e o resultado ficou dentro da faixa mais escolhida pelos participantes.

O Dear Dairy Index também permanece em território positivo. O indicador está em 62 pontos de 100, classificado como bullish, com convicção moderada. O índice havia recuado de 65 para 62 na semana anterior, movimento interpretado não como uma mudança para uma visão baixista, mas como reflexo de uma recuperação considerada cada vez mais desigual.

O SMP virou o principal ponto de força

Entre os produtos, o sinal mais contundente está no SMP.

O leite em pó desnatado subiu 5,3% no Event 411, depois de já ter avançado 7,6% no Event 410. São dois movimentos consecutivos de magnitude relevante.

O buttermilk powder também ganhou 4,6%, enquanto a lactose avançou 2,0%.

A referência norte-americana reforça a força observada nas proteínas: em 1º de setembro, o CME Grade A nonfat dry milk chegou a US$ 1,90 por libra.

Esse comportamento coloca o SMP no centro da atenção para compradores que ainda precisam definir cobertura para o quarto trimestre.

Manteiga e AMF contam outra história

No mercado de gorduras, o cenário foi oposto.

A manteiga caiu 0,8% no Event 411, depois de recuar 2,0% no evento anterior. O AMF registrou queda de 1,3%, também depois de uma retração no evento anterior.

Nos Estados Unidos, a fraqueza foi ainda mais evidente. A manteiga negociada no CME fechou 1º de setembro a US$ 1,3925 por libra, com queda de 5,75 centavos em uma única sessão.

A divergência é clara: os pós avançam enquanto as gorduras perdem força.

Esse comportamento não corresponde ao padrão de um mercado de alta uniforme e ajuda a explicar por que o viés positivo não veio acompanhado de uma elevação da convicção.

O queijo amplia a cautela

O cheddar acrescentou outro sinal negativo ao resultado.

O índice de cheddar do GDT caiu 6,6%, enquanto a mussarela avançou apenas 0,3%. No CME, os blocos de cheddar fecharam a US$ 1,4750 por libra, e os barrels, a US$ 1,5325 por libra, em 1º de setembro.

A diferença entre categorias passa, portanto, a ser uma das principais características do momento.

O leite em pó integral também não acompanhou o movimento do SMP: o WMP recuou 0,1%, praticamente estável. Mas a distância entre uma alta de 5,3% no SMP e um WMP praticamente parado mostra que a força atual está concentrada em determinados produtos.

Europa e Estados Unidos também mostram caminhos diferentes

Os dados mais recentes da Comissão Europeia apontam recuperação do mercado físico europeu ao longo de agosto. As referências citadas na fonte estavam em aproximadamente € 4.040/t para manteiga, € 2.910/t para SMP, € 3.560/t para WMP e € 3.350/t para cheddar.

Ao mesmo tempo, o complexo de gorduras dos Estados Unidos apresenta uma fraqueza mais acentuada.

O resultado é um mercado global no qual não basta acompanhar o índice agregado. Produto e região passaram a importar mais para a leitura da tendência.

O que pode confirmar — ou enfraquecer — a alta

O cenário atual ainda sustenta uma visão positiva. São quatro eventos consecutivos de alta no GDT, a percepção dos participantes tornou-se majoritariamente otimista, o DDI permanece bullish, o SMP apresentou dois avanços expressivos e os mercados físicos europeus melhoraram ao longo de agosto.

Mas existem sinais que impedem uma leitura de alta generalizada.

A produção global de leite está melhorando em regiões importantes, a fraqueza das gorduras persiste, os mercados norte-americanos continuam divergentes e o cheddar apresentou uma queda relevante. Além disso, grande parte da força do último GDT veio do SMP, e não de uma participação ampla de todas as categorias.

Três movimentos serão especialmente importantes para testar essa tese: uma perda de força do SMP, uma reversão da recuperação dos mercados físicos europeus e uma eventual propagação da fraqueza de manteiga, AMF e queijo para o complexo de pós.

O próximo teste será em setembro

O próximo evento completo da Global Dairy Trade será o Event 412, em 15 de setembro. Até lá, a expectativa apresentada na análise é de um mercado ainda sustentado, mas cada vez mais seletivo.

A questão central, portanto, deixou de ser apenas se os preços dos lácteos vão subir.

O ponto mais relevante para o mercado será identificar quais segmentos conseguem continuar avançando enquanto outros permanecem sob pressão.

Por enquanto, a fotografia é de um mercado com viés de alta, mas sem espaço para complacência: DDI em 62/100, direção bullish e convicção moderada.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Kudron Commodities

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