Yili mantém a liderança entre as marcas lácteas mais valiosas do mundo, enquanto o valor das dez principais marcas do setor alcança US$ 50,8 bilhões.
O movimento mostra uma disputa cada vez mais ligada à diversificação, às categorias de maior valor e à capacidade de responder às mudanças na demanda.
A Yili terminou o período analisado com valor de marca de US$ 14,5 bilhões, alta de 29%, preservando a primeira posição do ranking global de marcas lácteas.
O levantamento faz parte do Food & Drink Report 2026, da Brand Finance, que avaliou grandes empresas do setor a partir do valor de suas marcas — uma medida do benefício econômico líquido que o proprietário poderia obter ao licenciar a marca no mercado aberto.
Mas o avanço da Yili não aparece isoladamente. O conjunto das dez marcas lácteas mais valiosas do mundo atingiu US$ 50,8 bilhões, em um cenário no qual diferentes empresas vêm encontrando caminhos distintos para ampliar seu valor.
O que está por trás da valorização
No caso da Yili, o crescimento ocorreu em diversas categorias, desde produtos de leite consumidos no dia a dia até segmentos de nutrição de maior valor.
O portfólio da empresa inclui leite líquido, leite em pó, sorvetes e produtos nutricionais. Segundo o relatório, essa diversificação permite responder à demanda por opções lácteas consideradas mais saudáveis e funcionais.
A estratégia também inclui investimentos em nutrição para adultos e produtos voltados à saúde, apontados pelo levantamento como elementos que sustentam o posicionamento da marca no longo prazo.
O resultado coloca a Yili em uma posição bastante diferente daquela de uma marca dependente de uma única categoria: sua presença em diferentes segmentos amplia os espaços em que pode disputar crescimento.
Quem mais avançou
A movimentação do ranking mostra que a liderança em valor não significa necessariamente o maior ritmo de crescimento.
A Arla registrou a expansão mais rápida entre as dez marcas analisadas. Seu valor de marca cresceu 39%, chegando a US$ 3,4 bilhões.
A Mengniu, por sua vez, avançou 26%, para US$ 6 bilhões.
Já a Amul, da Índia, aparece como a marca láctea mais forte do ranking, com 93 pontos em 100 no Brand Strength Index (BSI).
A vietnamita Vinamilk também permaneceu entre as marcas lácteas mais fortes do mundo, alcançando 89,6 pontos no BSI.
Os números deixam uma distinção importante: valor de marca e força de marca são métricas diferentes. A liderança em valor pertence à Yili, enquanto a maior pontuação de força no ranking ficou com a Amul.
A disputa vai além do preço
O relatório também identifica uma mudança mais ampla no mercado de alimentos e bebidas.
Durante os últimos dois anos, as marcas dependeram fortemente de aumentos de preços para enfrentar as pressões inflacionárias e proteger suas margens. Com a redução dessas condições inflacionárias, porém, a base da competição começa a mudar.
Nesse novo cenário, a capacidade de construir valor no longo prazo ganha peso.
Para Henry Farr, Global Sector Head of Food & Drink da Brand Finance, as empresas que estão avançando são aquelas que utilizam portfólios amplos e flexíveis para capturar crescimento e defender participação em diferentes categorias, em vez de depender exclusivamente de posições historicamente fortes.
Essa lógica também aparece na avaliação das tendências que podem alterar a demanda. O relatório destaca que movimentos como o avanço dos medicamentos para perda de peso do tipo GLP-1 podem influenciar o comportamento dos consumidores, aumentando a importância da flexibilidade dos portfólios.
Para as grandes marcas lácteas, portanto, o desafio apresentado pelo ranking não se resume a alcançar maior valor hoje. A questão é construir capacidade para acompanhar as mudanças no consumidor e encontrar novos espaços de crescimento.
A trajetória da Yili, com avanço de 29% no valor e presença em múltiplas categorias, é o principal exemplo apresentado pelo levantamento de como essa estratégia pode se traduzir em valor de marca.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter






