O Brasil ocupa hoje a posição de terceiro maior produtor de leite do mundo, com uma produção que ultrapassa 34 bilhões de litros por ano e atividade presente em 98% dos municípios do país.
Por trás desses números, no entanto, está uma rotina diária dentro das fazendas que raramente chega ao conhecimento de quem consome o produto: é ela que determina, na prática, a qualidade do leite que chega às gôndolas.
Pequenas e médias propriedades sustentam a maior parte do fornecimento às indústrias de laticínios no país, e é justamente nesse universo — marcado por forte perfil regional — que se concentra boa parte dos ganhos recentes de produtividade. A explicação está na porteira para dentro: mais atenção à alimentação, ao conforto térmico e à saúde dos cascos do rebanho.
Segundo Valdenir, proprietário de uma fazenda de seleção genética, tudo começa no cocho. “Começa desde uma boa alimentação. Alimentação balanceada e bem-estar animal, tudo isso influencia diretamente na qualidade do produto”, explica o pecuarista.
A dieta das vacas muda conforme a estação. No período da seca ou da entressafra, quando o capim perde nutrientes, os criadores reforçam a suplementação com aveia, farelo e bagaço de laranja — resíduo fibroso da indústria de sucos aproveitado como fonte de energia para os ruminantes.
O trato é oferecido em dois horários, pela manhã e à tarde, e os funcionários fazem o repasse periódico do alimento ao longo do dia. “Depois a gente vai só empurrando para próximo dela, porque ela vai procurando e vai jogando para longe”, descreve Valdenir sobre o manejo na pista de alimentação.
O controle da temperatura dentro dos galpões é outro fator decisivo. O estresse calórico reduz a ingestão de ração pelas vacas e, como consequência direta, derruba a produção de leite — por isso a ventilação dos ambientes e o conforto térmico das matrizes entraram no radar dos produtores como parte da rotina de manejo.
Há ainda um cuidado menos falado, mas igualmente determinante: a podologia bovina, técnica dedicada ao tratamento e à prevenção de lesões nos cascos do rebanho.
Problemas nos cascos causam dor e limitam o deslocamento do animal até bebedouros e cochos; sem se alimentar na frequência necessária, a vaca perde peso e reduz a extração diária de leite. “A gente cuida do casco, porque o animal, se estiver com problema no casco, sente dor e aí não come direito”, explica o produtor.
Para Valdenir, o resultado dessas três frentes — nutrição, conforto térmico e sanidade preventiva — se soma no tanque de expansão. “Quando o animal está bem, todo o sistema funciona melhor”, resume. É esse conjunto de práticas, replicado em fazendas de todos os portes pelo país, que sustenta a posição do Brasil entre os líderes do mercado lácteo internacional.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Band






