O rótulo limpo se consolidou como a principal referência para quem desenvolve novos produtos alimentícios nos Estados Unidos.
É o que mostra um levantamento da Food Business News em parceria com a Cypress Research, apresentado no webinar “Trends and Innovations: US State of Product Innovation”: 76% dos fabricantes colocam hoje o rótulo limpo no topo de suas prioridades de ingredientes, um salto expressivo frente aos 58% registrados em 2024.
O movimento não é isolado. A pesquisa identificou uma mudança mais ampla na forma como as empresas de alimentos estão encarando o desenvolvimento de produtos: em vez de apostar em marcas inteiramente novas, a prioridade passou a ser mexer no que já existe.
Quando questionados sobre o que pesa mais entre inovar, renovar ou inventar, 90% dos entrevistados apontaram a inovação de marcas e portfólios já estabelecidos como prioridade máxima. A renovação de produtos existentes veio em seguida, com 75%. Já a invenção de produtos totalmente novos ficou em último lugar, com 61% — uma queda de 6 pontos em relação a 2024.
Segundo Marjorie Hellmer, presidente da Cypress Research, os dados deste ano confirmam que os fabricantes de alimentos estão voltando a adotar uma postura mais conservadora diante do risco.
Essa cautela também aparece na lista de ingredientes mais buscados. Depois do rótulo limpo, a proteína ocupa a segunda posição, com 52% — um avanço de quase 30 pontos frente aos 24% de 2024. Sabores aparecem com 47%, corantes com 44% (também em forte alta, vindos de apenas 16% dois anos atrás) e ingredientes funcionais com 36%.
Para Keith Nunes, editor da Food Business News, esse apetite por proteína, energia e fibra reflete uma demanda de consumo que a indústria não pode ignorar. “A comida funcional está vivendo seu momento, e os fabricantes estão tentando responder a essa demanda percebida”, afirmou.
Mas nem tudo na pesquisa é sobre ingredientes. Pela primeira vez, o levantamento incluiu uma categoria específica para regulamentações federais e estaduais — e o resultado ajuda a explicar boa parte da cautela do setor. Entre os fatores que mais influenciam a escolha de projetos de desenvolvimento, a demanda do consumidor segue na liderança, com 83%, ainda que em leve queda de 3 pontos frente a 2025.
Já o peso das regulamentações governamentais saltou para 40%, um avanço de 6 pontos no mesmo período. Na direção oposta, a sustentabilidade continua perdendo espaço nas decisões: caiu para 27%, depois de ter marcado 38% em 2024.
O que mais preocupa os fabricantes, especificamente no campo regulatório, é a possibilidade de banimento de ingredientes classificados como “artificiais”, citada por 61% dos entrevistados. Em seguida aparecem os banimentos estaduais de ingredientes específicos, com 42%, e a expectativa de uma definição formal do que são “alimentos ultraprocessados”, com 39%.
Nunes resume o momento como um cenário de incerteza acumulada. “O avanço do movimento ‘make America healthy again’ deixou as pessoas em alerta, esperando a próxima peça cair, seja em nível federal ou estadual”, disse. E completou: “Isso deixa claro o que está preocupando quem desenvolve produtos. Há muitas incógnitas em relação a prazos, alcance e impacto.”
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Processing






