ESPMEXENGBRAIND
9 set 2026
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9 set 2026
🧀 O novo movimento de Washington separa produtos que serão barrados daqueles que continuarão entrando, mas sob tarifas elevadas.
laticinios
📉 Depois de meses de tarifas e negociações frustradas, Washington anunciou uma medida que amplia ainda mais a tensão.

A proibição de laticínios anunciada pelos Estados Unidos contra produtos do Canadá abre uma nova frente na disputa comercial entre os dois países.

A medida, comunicada nesta terça-feira (8), começa a valer em 29 de setembro e atinge, entre outros itens, proteína de soro de leite (whey), melaço invertido, melaço de cana e cerveja sem álcool.

A decisão do governo de Donald Trump não se limita aos produtos que deixarão de entrar no mercado americano. Diversos tipos de queijo foram incluídos em uma lista diferente, sujeita a tarifa de 50%, mas não à proibição.

O desenho das novas medidas revela uma divisão entre produtos que terão sua entrada impedida e aqueles que continuarão disponíveis mediante uma barreira tarifária elevada. Também foram incluídos nas listas produtos de papel, alumínio, madeira, móveis, iluminação e outros itens.

A nova ofensiva ocorre depois de uma sequência de medidas que, desde 2025, vem alterando as condições de comércio entre os dois países.

Um conflito que mudou de escala

A disputa comercial começou no início de 2025, quando Trump anunciou tarifas sobre produtos canadenses. Entre as justificativas apresentadas pelo governo americano estavam o combate ao tráfico de fentanil e a redução do déficit comercial dos Estados Unidos.

Depois de negociações, a entrada em vigor das medidas chegou a ser adiada por 30 dias. Em março daquele ano, porém, Washington passou a cobrar uma tarifa de 25% sobre diversos produtos canadenses e de 10% sobre parte das importações de energia.

Ottawa respondeu com uma primeira grande lista de retaliação, incluindo alimentos, bebidas, eletrodomésticos, roupas e outros bens de consumo.

O aço e o alumínio ampliaram posteriormente o alcance do confronto. Os Estados Unidos passaram a cobrar 25% sobre esses produtos importados, enquanto o Canadá reagiu com novas tarifas sobre mercadorias americanas, entre elas aço, alumínio, computadores, servidores, monitores e equipamentos esportivos.

A disputa também alcançou o setor automotivo. Em março de 2025, Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre automóveis importados, com tratamento diferente para veículos que cumprissem as exigências do acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México, o USMCA.

O Canadá respondeu em abril com tarifas sobre veículos americanos que não se enquadravam nas regras do acordo e sobre determinados componentes produzidos fora da América do Norte.

Negociações não conseguiram conter a escalada

Mesmo com a sucessão de tarifas, Washington e Ottawa continuaram tentando negociar.

Em maio, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, reuniu-se com Trump na Casa Branca. No mês seguinte, os dois governos estabeleceram um prazo de 30 dias para tentar avançar nas conversas.

A tentativa não prosperou. Em junho, as negociações foram interrompidas após uma disputa envolvendo o imposto canadense sobre serviços digitais. Posteriormente, o Canadá retirou a medida em uma tentativa de reabrir o diálogo.

Ainda em 2025, Washington elevou suas tarifas para 50%. O Canadá retirou, em setembro, a maior parte das tarifas de retaliação impostas sobre produtos americanos, mantendo as cobranças sobre aço, alumínio e automóveis.

A redução parcial das barreiras, porém, não encerrou o conflito.

Em 2026, novas decisões voltaram a pressionar o comércio bilateral. Em julho, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 10% sobre produtos canadenses relacionada a uma investigação sobre trabalho forçado. As mercadorias que cumprem as regras do USMCA ficaram isentas.

No mesmo mês, ocorreu a primeira revisão obrigatória do acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México. Washington decidiu não estender o tratado em sua forma atual, acionando o mecanismo de revisões anuais previsto no acordo. O USMCA, entretanto, continua em vigor.

Ainda em julho, o governo americano utilizou a chamada Seção 338 da legislação comercial dos Estados Unidos para anunciar tarifas adicionais de até 50% sobre cerca de US$ 27,6 bilhões em produtos canadenses.

Entre os produtos atingidos estavam vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas e equipamentos esportivos.

O setor lácteo volta ao centro do confronto

As novas medidas anunciadas nesta terça-feira acontecem depois do fracasso de uma série de rodadas de negociação realizadas ao longo de agosto.

Em 22 de agosto, os Estados Unidos colocaram em vigor tarifas de 50% sobre produtos canadenses. O governo de Mark Carney anunciou que responderia com medidas equivalentes a partir de 8 de setembro.

As novas tarifas canadenses incluem aço, alumínio, laticínios e eletrodomésticos, com alíquotas de 15%, 20% e 50%.

Após a entrada em vigor das medidas canadenses, Carney afirmou que o país tinha condições de mudar de direção e prosperar.

Agora, a resposta de Washington amplia novamente o alcance da disputa. A partir de 29 de setembro, além dos laticínios, os Estados Unidos também vão proibir a importação de grande parte das bebidas alcoólicas canadenses, incluindo cerveja e diversos tipos de vinho, além de uísque, bourbon, rum, vodca, vermute, tequila, mezcal e conhaque.

Motocicletas também estão entre os produtos atingidos.

Ao mesmo tempo, determinados produtos foram retirados da lista sujeita à tarifa de 50%, entre eles sal, cimento, produtos de papel, chumbo refinado, equipamentos elétricos e partes de varas de pesca.

A disputa, contudo, já tem um próximo capítulo anunciado. Segundo fontes da Casa Branca ouvidas pela Reuters, permanece válida a ameaça de Trump de elevar, a partir de 1º de janeiro, de 25% para 50% as tarifas sobre carros, caminhões e autopeças do Canadá.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por G1

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