ESPMEXENGBRAIND
17 set 2026
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💰 Investidores recuam de vegetais e carne cultivada, mas apostam pesado em uma rota tecnológica que pode chegar perto do consumidor em breve.
🥛 Quase US$ 20 bilhões foram investidos em proteínas alternativas — mas o resultado ficou muito abaixo do esperado.
🥛 Quase US$ 20 bilhões foram investidos em proteínas alternativas — mas o resultado ficou muito abaixo do esperado.

A fermentação de precisão está conquistando um espaço que o restante do universo de proteínas alternativas não conseguiu garantir: a confiança dos investidores.

Enquanto o capital de risco destinado ao setor como um todo caiu de € 341 milhões para € 306 milhões no primeiro semestre de 2026, segundo o Good Food Institute (GFI), as empresas de fermentação de precisão levantaram € 100 milhões no mesmo período — um volume que já supera todo o captado pela categoria inteira durante 2025. A fermentação de biomassa também cresceu, passando de € 60 milhões para € 99 milhões, em rodadas menos numerosas, porém maiores.

O contraste chama atenção porque o desempenho geral do setor de proteínas alternativas está longe de ser bom. De acordo com o Green Technology Performance Index, da Bain & Company, que compara o avanço de diferentes tecnologias com as expectativas traçadas em 2015, as proteínas alternativas figuram entre as categorias que mais ficaram abaixo do esperado.

“Nossa conclusão é que as proteínas alternativas não corresponderam às expectativas estabelecidas há uma década porque a proposta ao consumidor — sobretudo sabor, textura e preço — não foi forte o suficiente para impulsionar a adoção em escala”, explicou Jean-Charles van den Branden, responsável pela prática global de sustentabilidade da Bain. Segundo ele, depois de uma fase de forte euforia, essa constatação derrubou com força o valor de mercado de várias empresas conhecidas do setor.

Dois exemplos citados no material são a Beyond Meat, que mudou de formatos e de identidade de marca na tentativa de reencontrar crescimento, e a Oatly, cuja capitalização de mercado caiu mais de 96% em cinco anos depois de expandir a produção rápido demais e enfrentar dificuldades na cadeia de suprimentos na América do Norte.

Para Van den Branden, o novo aporte de capital em fermentação pode refletir uma aposta dos investidores em tecnologias capazes de melhorar justamente aquilo que travou o restante da categoria. Ainda assim, ele pondera que resta saber se esse dinheiro vai se traduzir em produtos que o consumidor prefira, a preços competitivos. “Isso ilustra a divergência que descrevemos: uma categoria pode decepcionar em conjunto, e ainda assim tecnologias específicas continuarem atraindo capital novo”, afirmou.

É justamente aí que entram os lácteos de precisão fermentada — proteínas idênticas às de origem animal, mas produzidas sem envolver nenhum animal, também chamadas de “animal-free”. Diante das dificuldades regulatórias, de escala e de aceitação do consumidor, as empresas do setor têm direcionado o foco para soluções B2B de ingredientes, em vez de mirar diretamente a gôndola.

A alemã Formo é um dos casos mais avançados: espera receber em poucas semanas uma carta de não objeção da FDA para estrear no mercado americano, já ampliando a produção por meio de coprodutoras. A empresa usa bactérias E. coli para produzir caseína via fermentação de precisão — diferentemente de outros players do setor, que recorrem a fungos ou leveduras. O ingrediente é altamente solúvel e pode abrir espaço para bebidas transparentes e de alto teor proteico, um território hoje dominado pelo soro do leite (whey).

Na Bélgica, a Those Vegan Cowboys também se prepara para um lançamento comercial nos Estados Unidos e ampliou recentemente seu portfólio com diferentes caseínas bovinas voltadas tanto a queijos funcionais quanto a proteínas para produtos nutricionais.

Já nos Estados Unidos, a New Culture, especializada em muçarela por fermentação de precisão, garantiu recentemente uma segunda patente para sua caseína animal-free e se prepara para lançar uma muçarela “sem vaca” voltada ao setor de foodservice.

Superada a etapa regulatória, o próximo obstáculo para essas empresas será escalar a produção e garantir demanda comercial suficiente para sustentar o negócio no longo prazo — um desafio que, segundo o próprio material, ainda está longe de resolvido.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter

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