ESPMEXENGBRAIND
17 set 2026
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💶 Um contrato pouco comum protege sua margem mesmo quando o preço do leite despenca. Entenda como funciona.
leite
🐄 Ele nunca comprou a terra que usa para crescer — e essa decisão está no centro do seu modelo de negócio.

Na Inglaterra, um produtor de leite decidiu que nunca seria dono da terra onde cresce. John Allwood assumiu a Huntington Hall Farm, em Chester, em 1997, com 245 vacas somando duas propriedades. Hoje ordenha 1.050 vacas em 640 hectares — e apenas 80 desses hectares são realmente dele.

Todo o resto, 560 hectares distribuídos em 13 parcelas a cerca de 20 minutos da sede, é arrendado. E é justamente essa escolha que sustenta o ritmo de expansão: 350 vacas em 2012, 1.050 atualmente, com uma nova compra de área em andamento para chegar a 1.200 vacas até meados de 2028. O plano é converter os galpões desse novo sítio, com 78 hectares arrendados, em instalações para 650 cabeças de recria — o que libera espaço na fazenda principal para mais 250 vacas em lactação.

A lógica financeira por trás disso é direta. Na região, um hectare custa cerca de 17 mil euros; à taxa média de financiamento de Allwood, de 5,65% ao ano, isso representa quase mil euros anuais só de custo de oportunidade por hectare. Arrendar — pagando entre 150 e 300 euros por hectare, com média de 260 euros em 2025 — libera esse capital para reinvestir diretamente na produção. Segundo o produtor, o modelo também facilita a sucessão familiar, já que não há grande volume de capital imobilizado em terra de baixo retorno.

Do lado da renda, Allwood também não depende só do mercado aberto. Cerca de 9,5 milhões de litros por ano — 75% de tudo o que produz — são vendidos à rede Tesco por meio da Müller dentro de um contrato de preço baseado no custo de produção, calculado por um auditor independente a partir dos dados que ele próprio fornece. Em junho de 2026, esse preço ficou em 47 centavos de euro por litro, cinco centavos acima do custo de produção da fazenda. O volume que sobra é vendido à Müller no preço padrão de fábrica, pouco acima de 31 centavos — apenas três centavos acima do custo direto.

Esse teto de segurança muda o comportamento produtivo. Como não há como aumentar o volume dentro do contrato de custo, Allwood prefere manter um estoque grande de novilhas — mesmo usando sêmen sexado e touros de corte em parte do rebanho — para poder reduzir o descarte e acelerar o crescimento assim que o preço do leite voltar a subir.

A estrutura também foi redesenhada fisicamente. Em janeiro, entrou em operação uma nova sala de ordenha rotativa externa GEA de 72 baias, substituindo uma unidade de 40 baias comprada em 2007. Antes, ordenhar mais de 900 vacas três vezes ao dia levava sete horas; hoje, com 920 vacas, o processo leva três horas com uma equipe de 2,5 pessoas por turno. Allwood já projeta robotizar essa mesma sala rotativa dentro de cinco anos, quando espera que o custo da tecnologia caia o suficiente frente ao aumento constante do custo da mão de obra.

Nem tudo acompanhou o mesmo ritmo: a fase de transição das vacas ainda tem capacidade para apenas 750 animais, e a proximidade com o rio Dee — fonte de água potável para 3 milhões de pessoas — coloca a gestão de fósforo e potássio do esterco como uma pressão regulatória crescente sobre a propriedade.

Em 2025, com preço médio de 47,50 euros por 100 kg de leite, a renda empresarial da fazenda superou 725 mil euros, com uma dívida de 4.700 euros por vaca — considerada baixa pelo próprio produtor. Allwood planeja seguir ativo por mais dez anos antes de assumir um papel de conselheiro, enquanto seu filho, Jack, já mira 2.000 vacas até 2035 e toca paralelamente a Mootrition, negócio de milkshakes e sorvetes feitos com o leite da própria fazenda, que faturou 700 mil euros em 2025 e deve ultrapassar 1 milhão em 2027.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Food & Agribusiness

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