Queijo do Sô Márcio | No alto da Serra, a 1.525m de altitude, uma queijeira cheia de queijos, dificuldade para comercializar a produção e um produtor rural que se recusava a entregar seu trabalho pelo preço considerado irrisório oferecido por atravessadores.
Foi nesse cenário que começou, em 2017, um dos capítulos importantes da história recente do queijo artesanal de Alagoa, município localizado na Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais.
O personagem dessa história é Márcio Martins de Barros, conhecido como Sô Márcio, produtor do tradicional Queijo Artesanal Alagoa.
No início daquele ano, preocupado com o estoque acumulado, ele procurou o empreendedor Osvaldo Martins de Barros Filho, o Osvaldinho, fundador da Queijo D’Alagoa-MG e conhecido como Tropeiro Digital.
“Pelo amor de Deus, Osvaldinho, venda os meus queijos. Pega um pouco pra me ajudar!”, recorda Osvaldinho sobre o pedido feito pelo produtor.
Naquele momento, não era possível absorver toda a produção. A solução encontrada foi começar aos poucos.
Segundo Osvaldinho, aproximadamente 300 peças passaram a ser comercializadas mensalmente pela Queijo D’Alagoa-MG. Na época, Sô Márcio produzia cerca de 600 queijos por mês.
Da Mantiqueira para a França
Poucos meses depois, a história tomaria um rumo inesperado.
Em junho de 2017, Osvaldinho viajou para a França a convite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG).
Na bagagem, levou escondido queijos produzidos por Sô Márcio para participar do Mondial du Fromage, realizado em Tours, uma das competições internacionais dedicadas ao universo dos queijos.
O resultado colocou o nome de Alagoa em evidência: o Queijo do Sô Márcio foi premiado no Mondial du Fromage de 2017.
A conquista representou um marco para o município, tornando o produto de Sô Márcio o primeiro queijo de Alagoa premiado na França.
“Foi um feito histórico! Conseguimos colocar Alagoa num patamar internacional. Nunca antes na história de Alagoa isso havia acontecido”, afirma Osvaldinho.
O prêmio mudou a trajetória comercial
O reconhecimento internacional teve reflexos que ultrapassaram a medalha.
Segundo Osvaldinho, depois da premiação na França, a procura pelo queijo cresceu significativamente. A produção que anteriormente enfrentava dificuldades para encontrar mercado passou a ser integralmente escoada por meio das vendas realizadas pela internet.
A transformação também simbolizou algo maior: a possibilidade de atrair turistas pra cidade e agregar valor ao queijo artesanal por meio da origem, da qualidade, da história e da identidade de quem o produz.
A própria apresentação comercial do Queijo do Sô Márcio passou a reforçar essa filosofia.
O rosto do produtor aparece no rótulo.
Para Osvaldinho, a decisão é intencional.
“Faço questão de colocar o rosto do produtor no rótulo do queijo. É uma forma de valorizar o produtor e de comunicar para o consumidor final a procedência e a origem do queijo.”
Uma história que começou com dificuldade e chegou ao reconhecimento internacional
Quase uma década depois daquele pedido feito em 2017, o Queijo do Sô Márcio continua sendo produzido artesanalmente nas montanhas de Alagoa e comercializado para consumidores de diferentes regiões do Brasil.
Durante o outono e o inverno, período em que a produção artesanal pode diminuir com a redução da disponibilidade de leite, a procura pelo produto chega a provocar fila de espera.
Na Semana do Cliente um novo lote do Queijo do Sô Márcio está disponível no site com desconto já aplicado.






