A expansão da Natville no Nordeste ganhou mais um capítulo com a construção de uma nova fábrica em Batalha, no sertão de Alagoas.
A unidade não chega sozinha: soma-se a outras plantas que a empresa já opera ou está implantando em Alagoas, Sergipe e Bahia, formando um corredor industrial que deve chegar a 2,7 milhões de litros de leite processados por dia quando todas as unidades estiverem funcionando plenamente.
O grupo já trabalha com 2,2 mil produtores rurais fornecedores e emprega mil colaboradores, atendendo três mil clientes ativos com um portfólio de 50 produtos, segundo informou Flávio Dantas, um dos diretores da empresa, durante uma visita técnica que lideranças do setor produtivo alagoano fizeram às instalações da Natville em Nossa Senhora da Glória, no sertão sergipano.
Para quem cria gado leiteiro no semiárido, a lógica é direta: quanto mais perto a indústria, maior o estímulo para aumentar a produção, melhorar a produtividade e profissionalizar a atividade.
É a leitura do presidente do Sistema Faeal/Senar, Álvaro Almeida, para quem uma agroindústria estruturada e um mercado consumidor garantido dão ao produtor rural mais segurança para planejar investimentos no rebanho — processo que conta com acompanhamento técnico da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Alagoas.
Mas a estratégia da Natville não se limita a processar mais leite. Em Nossa Senhora da Glória, a empresa está implantando uma fábrica de ração com capacidade para 500 toneladas por dia, pensada para reduzir os custos de alimentação do rebanho e oferecer uma alternativa aos produtores justamente nos períodos de estiagem — quando a falta de alimento para os animais costuma ser um dos principais gargalos da pecuária leiteira no semiárido.
O efeito, segundo o setor produtivo, tende a se espalhar por outras pontas da economia regional: comércio de insumos, alimentação animal, transporte, serviços veterinários, máquinas e equipamentos, além de empregos diretos e indiretos. A avaliação é que o crescimento da atividade láctea também pode atrair novas plantas industriais de pequeno e médio porte para a cadeia produtiva do leite e seus derivados no sertão alagoano.
A chegada da Natville a Alagoas teve como pano de fundo uma articulação institucional que remonta à gestão do então governador Renan Filho e do então secretário da Fazenda, George Santoro, e que hoje segue com diálogo junto ao governo de Paulo Dantas.
Os proprietários da empresa, Janea e Valderício Dantas, creditaram ao presidente da Faeal, Álvaro Almeida, e ao diretor do Sebrae Alagoas, Domício Silva, papel decisivo na intermediação que trouxe os investimentos para o estado.
“Estamos presenciando um renascimento da Bacia Leiteira de Alagoas, que volta a ser pujante em nosso estado, beneficiando trabalhadores e produtores rurais”, avaliou Almeida.
Para ele, o investimento sinaliza algo maior do que a chegada de uma fábrica: “Mais agroindústria significa mais mercado para o produtor rural, mais atividade econômica e novas possibilidades de desenvolvimento para o sertão de Alagoas.”
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Tribuna do Agreste






