Manter os filhos no campo é um dos maiores desafios da agricultura familiar — e uma tarde de oficina em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, mostrou que parte da resposta pode estar em algo tão simples quanto uma receita de iogurte.
A atividade, realizada nesta quinta-feira (17), reuniu crianças e adolescentes de 5 a 15 anos do projeto Clube da Bezerra em torno de uma questão que preocupa gestores públicos e produtores: a sucessão familiar na pecuária leiteira.
A oficina, promovida pela Secretaria Municipal de Agricultura em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), levou os participantes a acompanhar, na prática, todas as etapas de transformação do leite em iogurte e doce de leite — desde os cuidados com a matéria-prima até a fermentação, a saborização e a degustação final. A atividade integra o projeto “Leite e Queijo na Escola”, desenvolvido pela própria UTFPR, e contou também com o apoio da cooperativa Cresol.
Por trás da oficina lúdica há uma estratégia mais ampla. A secretária municipal de Agricultura de Francisco Beltrão, Denise Chiapetti Adamchuk, explicou que a proposta do dia foi trabalhar justamente a agregação de valor ao leite produzido nas propriedades das famílias envolvidas — a maioria delas, mães e filhos de agricultores locais.
“São filhos de agricultores e estamos trabalhando justamente essa questão da sucessão familiar”, afirmou, destacando o apoio do prefeito Pedron ao investimento da equipe de Agricultura na iniciativa.
Do lado técnico, a professora de Tecnologia de Leite e Derivados da UTFPR, Andréa Badaró, observou um padrão que costuma ser difícil de conseguir com esse público: engajamento em todas as etapas do processo. “Eles são muito curiosos e prestativos.
Todos querem participar de todas as fases, desde a pesagem até o controle das temperaturas”, relatou. Segundo ela, esse tipo de vivência desperta nas crianças uma compreensão inicial sobre controle de processo e tecnologia — noções que, no fundo, são a base de qualquer transformação industrial do leite, ainda que em escala doméstica.
Badaró também apontou o doce de leite como um caminho especialmente viável para as famílias da região. “É um produto fácil de fazer e que permite agregar valor à produção da propriedade rural”, disse, acrescentando a expectativa de que o conhecimento se espalhe para as casas e comunidades dos participantes.
Essa expectativa já começou a se confirmar do outro lado da oficina. Clara Rafaela da Silva, integrante do Clube da Bezerra, resumiu o que levou da experiência: a possibilidade de ensinar a receita para a própria família e para os amigos.
O resultado é um modelo replicável em pequena escala: uma criança que aprende a transformar leite em iogurte ou doce de leite não está apenas ganhando uma habilidade doméstica, mas incorporando, cedo, a lógica de agregação de valor que sustenta cooperativas e agroindústrias familiares em toda a cadeia leiteira.
Para um município como Francisco Beltrão, que depende fortemente da pecuária de base familiar, iniciativas como essa funcionam como uma aposta de longo prazo: reter conhecimento técnico e interesse pelo campo antes que a próxima geração decida, sozinha, se quer continuar nele.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão






