Em Vacaria, na serra gaúcha, cinco robôs importados da Itália participam há 27 anos de uma das etapas mais delicadas da produção de queijo tipo grana.
Dentro das quatro câmaras de maturação da RAR Agro & Indústria, as máquinas viram, escovam e movimentam milhares de formas, em uma operação que combina tecnologia e cuidado com as características tradicionais do produto.
O trabalho acontece longe das prateleiras dos supermercados, mas interfere diretamente no desenvolvimento do queijo. Afinal, a maturação não depende apenas do tempo: exige que cada peça receba cuidados periódicos para que o resultado mantenha suas características.
É nesse processo que a automação assume um papel decisivo.
As formas precisam ser viradas regularmente para favorecer a distribuição uniforme da umidade. A escovação, por sua vez, remove impurezas acumuladas na casca e permite que o queijo respire.
São tarefas repetitivas, realizadas milhares de vezes, cuja regularidade importa tanto quanto sua execução.
Na operação da RAR, os robôs assumem essa rotina dentro das câmaras de maturação. O equipamento movimenta as formas entre as prateleiras e executa os procedimentos necessários sem depender do esforço físico contínuo de trabalhadores.
A tecnologia não substitui a receita do queijo tipo grana, produzido com leite cru. Sua função está em outro ponto: assegurar que uma etapa fundamental do processo seja conduzida com precisão e constância.
O trabalho invisível por trás do sabor
A maturação é um dos momentos em que a produção de queijos exige maior atenção aos detalhes. Pequenas diferenças na condução do processo podem interferir no desenvolvimento do produto, tornando a regularidade especialmente importante.
No caso do queijo tipo grana, virar as formas e escovar suas cascas não são operações meramente mecânicas. São procedimentos associados às condições necessárias para que o queijo desenvolva suas características.
A automação permite repetir essas tarefas de maneira uniforme, sem a fadiga inerente ao trabalho manual. Com cinco máquinas distribuídas por quatro câmaras, a RAR mantém uma rotina que atravessa quase três décadas.
O caso também evidencia uma particularidade da indústria de alimentos: nem toda inovação precisa modificar a composição ou a identidade do produto. Em determinadas etapas, a tecnologia atua justamente para preservar o processo e reduzir as variações de execução.
Uma escolha tecnológica que atravessou décadas
Os robôs chegaram à operação da RAR há 27 anos, importados da Itália. Desde então, permanecem dedicados às atividades de movimentação, viragem e escovação das formas.
A longevidade da operação chama atenção porque a automação não está concentrada em uma tarefa isolada ou eventual. Ela integra a rotina de maturação e acompanha o desenvolvimento de milhares de peças.
A fonte não informa os custos de aquisição, manutenção ou operação dos equipamentos, nem detalha sua capacidade diária de processamento. Ainda assim, os 27 anos de funcionamento mostram que a tecnologia faz parte da estrutura produtiva da indústria há quase três décadas.
O exemplo de Vacaria coloca em perspectiva uma questão relevante para fabricantes de queijos: a automação pode ser aplicada a processos específicos, sem necessariamente afastar o produto de sua tradição.
No caso da RAR, os robôs não são responsáveis por definir a receita. Seu papel é garantir que os cuidados exigidos pela maturação sejam realizados de forma constante.
A combinação entre leite cru, tempo e precisão mecânica resume uma operação em que a tecnologia trabalha nos bastidores para que o queijo mantenha sua identidade.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por ACIA






