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6 out 2026
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Há quem escolha o leite cru por achá-lo mais saudável. Pediatras analisaram o que os estudos mostram, e a conclusão pesa 🥛
leite cru
Um vírus transmitido por aves selvagens foi parar no leite de vacas e entrou no radar dos pediatras. Entenda o que está em jogo 🦠

Um dos argumentos usados em defesa do leite cru é que a pasteurização empobreceria o alimento.

A Academia Americana de Pediatria, que atualizou na revista Pediatrics, suas orientações sobre o tema, afirma que as evidências não sustentam essa ideia. Para a entidade, produtos não pasteurizados não trazem benefício à saúde capaz de compensar o risco de infecções.

Os estudos analisados não encontraram diferenças significativas entre o leite cru e o pasteurizado em triglicerídeos, ácidos graxos, lactose, cálcio, magnésio e zinco. A pasteurização pode alterar algumas proteínas e vitaminas, mas, no conjunto, não modifica de forma relevante o valor nutricional. O processo consiste em aquecer o leite a uma temperatura determinada por um período específico e resfriá-lo rapidamente, o que elimina os microrganismos causadores de doenças.

Do outro lado da balança estão os patógenos. Listeria monocytogenes, Campylobacter jejuni, Salmonella, Brucella e Escherichia coli podem estar presentes em laticínios não pasteurizados. A contaminação do leite pode ocorrer pelo contato com fezes, pela pele dos animais, por infecções nas glândulas mamárias ou por elementos do ambiente.

Nos Estados Unidos, o consumo de leite não pasteurizado esteve relacionado a 75 surtos entre 2013 e 2018. Foram 675 casos de doença, 98 hospitalizações e duas mortes. Quase metade dos registros, 48%, ocorreu em pessoas com menos de 20 anos, e 14% atingiram crianças menores de 5 anos.

A novidade na recomendação é o vírus da influenza aviária A (H5N1). Transmitido de aves selvagens para vacas leiteiras, ele pode atingir altas concentrações nas glândulas mamárias dos animais infectados e, consequentemente, no leite. No leite cru refrigerado de vacas infectadas, o vírus pode permanecer por até cinco semanas. No surto de 2024 em rebanhos leiteiros dos EUA, o vírus infeccioso foi encontrado em quase um quarto das amostras de leite não pasteurizado analisadas nas áreas afetadas.

Até o momento, não foram identificados casos humanos de H5N1 provocados pelo consumo de leite cru. Ainda assim, a academia ressalta que a presença do vírus nesses produtos é um risco potencial, principalmente para crianças e gestantes. Entre as grávidas, a preocupação é maior pelo risco de infecções transmitidas por alimentos: a incidência estimada de listeriose é de 12 a 14 vezes maior na gravidez do que na população em geral. A doença pode levar a aborto espontâneo, natimorto, parto prematuro e infecção grave no recém-nascido.

A orientação da entidade é que gestantes, bebês, crianças, adolescentes e jovens adultos consumam apenas leite e derivados pasteurizados, e o alerta se estende a quem amamenta. A academia também voltou a apoiar a proibição da venda e da distribuição de leite cru e de produtos feitos a partir dele nos Estados Unidos.

“Os pais podem escolher leite cru porque ouviram dizer que ele é mais saudável ou natural, mas as evidências científicas contam uma história diferente”, afirmou Mark R. Corkins, coautor da nova recomendação, em comunicado. Segundo ele, os produtos pasteurizados fornecem os nutrientes essenciais do leite sem expor as famílias a infecções evitáveis causadas por bactérias e vírus.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Galileu

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