No passado, Mandaguari teve uma grande produção leiteira, captada pela antiga Cooperativa de Laticínios de Mandaguari (Colari), responsável pelo recebimento e beneficiamento de quase todo o leite produzido no município.
Com o passar dos anos, porém, a atividade perdeu força, com a saída de grandes produtores e a transferência da cooperativa para Londrina. Hoje, há poucas informações oficiais sobre quantos produtores ainda se dedicam exclusivamente à produção de leite no município.
A reportagem da Agora Comunicação visitou uma das poucas propriedades de Mandaguari voltadas exclusivamente à atividade leiteira. A propriedade está localizada na Estrada Belém, na região do km 14 da Estrada Alegre.
A produção de leite exige muito mais do que a ordenha dos animais. Por trás de cada litro produzido, existe uma rotina que começa ainda de madrugada e envolve alimentação, manejo, cuidados sanitários, acompanhamento nutricional e atenção constante ao bem-estar do rebanho.
Essa realidade faz parte do dia a dia da propriedade de Antônio Furnanetto, de 56 anos. O produtor mantém a atividade leiteira como principal segmento da propriedade, que está há cerca de dez anos sob sua administração.
A propriedade também conta com a participação de Ronaldo Chavioli, de 43 anos, parceiro que responde por parte da administração e dos serviços gerais. Morador da propriedade há cinco anos, ele participa diretamente da rotina de manejo dos animais.
Atualmente, a produção chega a aproximadamente 3 mil litros de leite por dia, mas a meta é ampliar o volume para cerca de 5 mil litros diários.
O rebanho é formado principalmente por animais da raça Holandesa. A propriedade trabalha com sistemas de confinamento e semiconfinamento e planeja incorporar, futuramente, a raça Jersey ao plantel.
Segundo os produtores, a Jersey apresenta volume de produção um pouco menor em comparação à Holandesa, mas é considerada mais rústica e pode oferecer leite com maior concentração de determinados componentes nutricionais, como proteínas, agregando valor ao produto.
Do animal ao resfriador
A produção começa com os cuidados com os animais. Atualmente, as vacas são ordenhadas duas vezes ao dia, com o uso de ordenhadeiras mecânicas. O sistema reduz o contato manual com o leite e permite que, logo após a ordenha, o produto seja conduzido por equipamentos de aço inoxidável diretamente ao tanque de resfriamento.
O leite permanece refrigerado até a coleta, realizada a cada dois dias pelo laticínio Volpato, de Arapongas.
A rotina começa cedo. As ordenhas são realizadas com aproximadamente 12 horas de intervalo, mas a propriedade estuda passar para três ordenhas diárias, com intervalos de oito horas.
“É uma rotina de domingo a domingo”, resume Ronaldo ao explicar o trabalho. Diferentemente de outras atividades do campo, a produção de leite não permite interrupções. Os animais precisam ser alimentados, cuidados e acompanhados todos os dias.
Além dos produtores, outras pessoas participam diretamente da atividade. A equipe inclui um casal responsável pela ordenha, familiares que auxiliam nos cuidados com os bezerros e na limpeza das instalações, além de Ronaldo, que também coordena a alimentação dos animais e recorre a trabalhadores diaristas quando necessário.
Clima também interfere na produção
Outro fator que influencia diretamente a atividade é o clima. Temperaturas muito altas ou muito baixas e períodos de chuva podem afetar o bem-estar dos animais e, consequentemente, a quantidade de leite produzida.
Os produtores afirmam que as mudanças nas condições climáticas têm dificultado o planejamento, com períodos de frio intenso, calor elevado e chuvas fora do padrão.
Durante o inverno, temperaturas mais amenas podem favorecer o conforto térmico dos animais e contribuir para a produção. Os extremos climáticos, porém, representam um desafio para quem trabalha com pecuária leiteira.
Alimentação é fundamental para o rebanho
A nutrição ocupa um lugar central na propriedade. As vacas em confinamento recebem uma dieta composta principalmente por silagem de milho, alimentos concentrados, pré-secado e feno. A composição da alimentação é acompanhada com orientação de um profissional da área de nutrição animal.
Parte importante desses alimentos é produzida na própria propriedade.
A silagem de milho é feita a partir do cultivo de plantas destinadas especificamente à alimentação do gado. Quando atingem o ponto adequado de desenvolvimento, conhecido popularmente como ponto de pamonha, as plantas são colhidas, trituradas e armazenadas em silos.
O processo exige cuidados para garantir a conservação do alimento. Quando armazenada corretamente, a silagem se torna uma das principais fontes de alimentação do rebanho ao longo do ano.
Apesar dos investimentos em máquinas e equipamentos, que tornaram parte do trabalho menos pesada, a atividade continua exigindo dedicação diária.
Para quem vive da produção de leite, a conta não envolve apenas custos e produtividade. Existe também uma relação de dependência com os animais e com o próprio campo.
“Todo dia está tendo um produto para ser vendido. O leite é aquela história, a gente faz porque ama. A gente nasceu para isso”, resume Furnanetto.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal Agora






