ESPMEXENGBRAIND
16 abr 2026
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Com novo CEO, Arcor acelera sua estratégia global, combinando aquisições, inovação e expansão para novos mercados diante de um cenário doméstico desafiador.
Em seu primeiro ano, o CEO Andrés Graziosi redefine prioridades e posiciona a Arcor para crescer fora da região com foco em exportação e inovação.
Em seu primeiro ano, o CEO Andrés Graziosi redefine prioridades e posiciona a Arcor para crescer fora da região com foco em exportação e inovação.

A Arcor inicia um novo ciclo estratégico com foco claro: acelerar sua expansão internacional.

Sob a liderança de Andrés Graziosi, que completa seu primeiro ano como CEO, o grupo reposiciona suas prioridades diante de um cenário doméstico mais exigente e de oportunidades crescentes fora da Argentina.

Com trajetória de mais de duas décadas na indústria farmacêutica, incluindo mercados altamente competitivos como Estados Unidos, Suíça e Canadá, Graziosi chega ao consumo massivo com uma leitura orientada à escala, eficiência e competitividade global. Seu primeiro desafio foi compreender a complexidade de uma companhia diversificada, com operações em consumo massivo, agronegócios e packaging, e capacidade de atuar simultaneamente em diferentes contextos.

O movimento mais relevante desse novo ciclo foi a aquisição de 100% da Mastellone Hnos., empresa dona da marca La Serenísima, em parceria com a Danone. A operação consolida uma relação de longa data entre as companhias — que já atuam juntas desde 2005 na Bagley Latinoamérica — e amplia a presença da Arcor no setor lácteo.

O negócio envolve uma estrutura produtiva robusta, com onze plantas na região e um portfólio que inclui leite, queijos, manteiga, iogurtes e sobremesas. Para a Arcor, trata-se de um projeto estratégico que permite integrar capacidades, acelerar o desenvolvimento de produtos e capturar sinergias operacionais e comerciais.

Apesar do avanço em escala e diversificação, o contexto segue desafiador. O setor de consumo massivo na Argentina atravessou um período de ajuste em 2025, marcado por queda da inflação, reorganização dos canais e mudanças nos padrões de compra. Nesse cenário, a Arcor registrou aumento nas receitas consolidadas, mas com queda de 7,8% nas vendas em termos reais.

O desempenho foi heterogêneo entre as categorias. Segmentos como chocolates, biscoitos e confeitaria mostraram recuperação de volumes, enquanto alimentos apresentaram retração, impactados por ajustes de estoques na cadeia comercial. Ao mesmo tempo, a divisão de agronegócios registrou crescimento em volumes, e o negócio de packaging acompanhou a estabilidade dos mercados atendidos.

Ainda assim, a companhia conseguiu sustentar sua rentabilidade operacional, com leve melhora em relação ao ano anterior. O resultado reflete a eficiência na gestão de custos, o controle de despesas estruturais e a solidez de um modelo baseado em integração vertical, diversificação geográfica e força de marca.

Diante desse cenário, a internacionalização ganha protagonismo. Com presença comercial em mais de 100 países, escritórios em quatro continentes e 49 plantas produtivas, a Arcor busca ampliar sua atuação global como eixo central de crescimento.

Para 2026, a empresa projeta um avanço consistente dessa estratégia, com destaque para a expansão da marca Bon o Bon, considerada sua principal plataforma global. O lançamento da linha Bon o Bon Supreme marca esse movimento, com distribuição prevista em 25 países já no primeiro ano, incluindo mercados como Espanha, Estados Unidos, China e Angola.

Além do consumo massivo, a estratégia de expansão também alcança o negócio de packaging, que passa a olhar com mais intensidade para mercados externos, com soluções adaptadas e investimentos em melhorias tecnológicas e de impressão.

No portfólio, a Arcor busca equilibrar produtos acessíveis com linhas premium, explorando novas ocasiões de consumo e capturando valor em segmentos de maior margem. Essa abordagem reflete uma leitura mais sofisticada da demanda, marcada por comportamentos heterogêneos entre categorias e consumidores.

Ao mesmo tempo, a companhia avança na incorporação de tecnologia, com foco em analítica de dados e inteligência artificial para otimizar processos, aumentar a eficiência e melhorar a tomada de decisão tanto no plano comercial quanto produtivo.

No plano macro, Graziosi destaca a importância de um ambiente competitivo equilibrado, com atenção a fatores como carga tributária, infraestrutura e logística — elementos que impactam diretamente a competitividade da indústria local frente ao avanço das importações.

Para o CEO, os desafios estruturais seguem ligados à necessidade de consolidar um ambiente que favoreça o investimento e a produção, condição essencial para sustentar o crescimento tanto no mercado interno quanto no externo.

Aos 75 anos, a Arcor reforça sua vocação histórica de expansão. O novo ciclo combina continuidade — baseada em um modelo integrado e diversificado — com uma inflexão estratégica clara: crescer além das fronteiras, capturar escala global e fortalecer sua posição em mercados cada vez mais competitivos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de EDairyNews Español

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