Argelia redefiniu o mapa das exportações de lácteos em 2025 ao se tornar o principal destino e concentrar 36% da receita externa do setor.
O movimento coincidiu com um recorde histórico: US$ 965 milhões exportados, alta de 13% frente a 2024.
O avanço combinou aumento de 2% no volume embarcado e valorização de 11% no preço médio por litro equivalente de leite, que passou de US$ 0,53 para US$ 0,59. Em termos físicos, foram 1.637 milhões de litros equivalentes, o maior registro já alcançado.
A concentração geográfica permanece elevada. Embora os embarques tenham alcançado 82 destinos, 70% da receita ficou em apenas cinco mercados: Argelia, Brasil, Mauritânia, Chile e Rússia. A principal mudança foi o salto argelino: US$ 343 milhões em compras, alta de 55% em valor e 32% em volume, totalizando 658 milhões de litros equivalentes.
O Brasil perdeu participação e ficou na segunda posição, com US$ 256 milhões, retração de 17% em valor e 22% em volume. A Mauritânia registrou o maior crescimento relativo, quase dobrando a receita, enquanto Rússia e Chile reduziram peso na pauta.
A estrutura das vendas externas mostra forte dependência da leite em pó integral. O produto gerou US$ 669 milhões, equivalentes a 66% do total exportado. Foram 168.077 toneladas embarcadas, com crescimento de 19% na receita, 6% em volume e 12% no preço médio, que atingiu US$ 3.978 por tonelada. Argelia absorveu 49% desse fluxo, seguida por Brasil e Mauritânia.
Outros segmentos tiveram desempenho mais moderado. Os queijos somaram US$ 91 milhões, queda de 13% em valor e 15% em volume, com 18.304 toneladas exportadas. O Brasil liderou como destino, seguido por México e Chile. Na última década, o segmento acumula retração média anual de 7% em volume, compensada parcialmente por ganhos de preço.
A manteiga registrou US$ 75 milhões, avanço de 6% sustentado exclusivamente por valorização de 17%, já que o volume caiu 10%. A Arábia Saudita tornou-se o principal mercado, superando a Rússia. Já a leite em pó desnatada manteve estabilidade em US$ 55 milhões, com alta de 10% no preço e recuo de 9% no volume. O Brasil concentrou 79% dessas vendas.
No fluxo mensal, o segundo semestre concentrou maior dinamismo. Outubro marcou o pico de embarques, com 174 milhões de litros equivalentes, enquanto março registrou o menor volume, 108 milhões.
As importações permaneceram marginais, totalizando US$ 29 milhões, 3% do valor exportado. O queijo liderou as compras externas, e a Argentina respondeu por 71% da origem.
O resultado de 2025 consolida uma trajetória de crescimento de longo prazo, com expansão média anual de 5% na receita exportadora na última década. Ao mesmo tempo, evidencia maior exposição à leite em pó integral e ao mercado argelino como vetores centrais do desempenho recente.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Ámbito






