As estatísticas oficiais mostram que a produção de leite este ano caiu 15% na Argentina, embora em maio tenha começado a mostrar uma mudança de tendência. Naquele mês, a diferença na produção em relação a maio do ano passado foi reduzida para 10% e o volume foi 6,6% maior do que em abril deste ano.
Argentina, O SETOR DE LATICÍNIOS ESTÁ MUITO PREOCUPADO COM A QUEDA NA PRODUÇÃO E NA DEMANDA DOMÉSTICA.
O SETOR DE LATICÍNIOS ESTÁ MUITO PREOCUPADO COM A QUEDA NA PRODUÇÃO E NA DEMANDA DOMÉSTICA.
No Centro de la Industria Lechera, a câmara que reúne as maiores empresas do setor na Argentina, os dados são preocupantes porque encarecem os custos, mas também há uma grande preocupação com o que está acontecendo com a demanda, especialmente a demanda doméstica.

O diretor da CIL, Ercole Felippa, disse ao Bichos de Campo que essa menor oferta de matéria-prima tem a ver com o impacto do clima, a seca do ano passado e as temperaturas muito altas do verão que afetaram a produtividade das vacas.

“Mas há outros aspectos que eu entendo que têm a ver, de acordo comercole felippa

os dados que estão se tornando conhecidos pelas bases de vacinação contra a febre aftosa, que há uma diminuição do rebanho. Não nos esqueçamos de que, no ano passado, quando foram implementadas as taxas de câmbio diferenciadas para soja e milho, muitos produtores deixaram de alimentar o concentrado e, em outros casos, houve uma redução do rebanho para poder alimentar o restante dos animais. Tudo isso afetou a produção e agora está se manifestando”, disse ele.

Felippa disse que a produção se recuperará a partir de agora, mas que o balanço do ano será negativo e que até o final de 2024 teremos uma queda significativa em comparação com os picos de produção alcançados há pouco tempo.

“No final do ano, estaremos de 7% a 9% abaixo do nível do ano passado, o que não é nada comum. Estamos falando de números importantes”, disse ele. A queda é forte, mas não põe em risco o fornecimento doméstico de produtos lácteos, um mercado que foi duramente atingido pela crise econômica.

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“Claramente, estamos passando por um momento de queda no consumo como poucas vezes antes. Em termos ponderados, a queda no consumo é da ordem de 15 ou 16%, mas vemos que, para algumas famílias de produtos, ela é muito maior e isso tem a ver basicamente com a enorme queda no poder de compra dos consumidores, como resultado dos reajustes que estamos tendo na macroeconomia”.

Felippa está ciente da importância da demanda local, para onde vão 70% do leite produzido pelas fazendas leiteiras: “Não podemos nos esquecer de qu e o consumo doméstico é uma das principais forças motrizes para o funcionamento da economia. À medida que o poder de compra dos cidadãos for restaurado, o consumo provavelmente voltará aos seus níveis habituais”.

Em seguida, ele fez uma ressalva, colocando um rosto humano nos dados estatísticos e explicou: “Temos um segmento importante da população que está tendo muita dificuldade para ter acesso a um alimento essencial, como os laticínios. Portanto, muitas vezes as estatísticas são analisadas e dizemos que o consumo de laticínios na Argentina é bom, é claro que é, mas também é verdade que há um número significativo de pessoas que não têm acesso a ele.

Mais da metade dos argentinos é pobre, uma loucura impensável há algumas décadas e que hoje afeta a maioria das atividades agrícolas que s ão livres para exportar, mas que têm pouca ou nenhuma competitividade e uma deterioração social sem precedentes com a qual têm de conviver diariamente.

O outro canal comercial são as exportações, que estão produzindo bons resultados devido a uma questão cíclica. Os problemas climáticos no sul do Brasil afetaram a produção e aumentaram a demanda por produtos lácteos, o que melhorou o preço.

“Chegamos a ter valores de 3.200 dólares por tonelada de leite em pó, o que é bom em termos históricos, mas que não eram competitivos, apesar de não estarem sendo aplicadas taxas de exportação. Depois desse episódio, o preço subiu para US$ 3.800 a US$ 4.000, o que melhorou a equação de negócios, que é apertada, mas nos permite retirar o volume que não está sendo consumido no mercado interno”.

O governo de Javier Milei tem todas as suas armas apontadas para a ordem macroeconômica, mas as diferentes atividades produtivas têm suas próprias agendas que exigem uma visão particular e interlocutores nas repartições públicas que conheçam cada setor.

No caso da cadeia leiteira, Felippa considerou que “temos uma agenda de trabalho, que foi desenvolvida pela FUNPEL, onde praticamente todas as questões estruturais e estratégicas do setor leiteiro são abordadas. A Argentina deve crescer em produção e deve crescer em exportações. E o crescimento das exportações não deve se dar à custa de perdas, deve se dar à custa de um crescimento genuíno da atividade. Para conseguir isso, precisamos desenvolver, tanto em nível de produção primária quanto de indústria, uma agenda de competitividade que nos permita entrar em novos mercados e vender com valor agregado.

 

 

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Os produtores de leite no Brasil enfrentam incertezas com os preços em baixa e as importações. Na análise do secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul, Darlan Palharini, a recuperação da cadeia produtiva vai depender da melhoria nos custos de produção.

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