ESPMEXENGBRAIND
14 jan 2026
ESPMEXENGBRAIND
14 jan 2026
Seguro e palatável, o bagaço de cana exige manejo preciso para não travar a produção de leite ⚠️
No leite, o bagaço de cana atua na saúde ruminal — não como base nutricional, explica consultor 🧠
No leite, o bagaço de cana atua na saúde ruminal — não como base nutricional, explica consultor 🧠

Bagaço de cana pode fazer parte da dieta de vacas leiteiras, mas apenas dentro de limites técnicos bem definidos.

A avaliação é do zootecnista e consultor Luis Kodel, que alerta para o risco de queda de consumo e de produção quando o coproduto é utilizado de forma excessiva em sistemas leiteiros.

A discussão ganhou relevância após a consulta de um produtor do município de Balsas, no Maranhão, região próxima a usinas sucroenergéticas, onde o acesso ao bagaço de cana-de-açúcar é logístico e economicamente facilitado. Segundo Kodel, a proximidade com a oferta não deve substituir critérios nutricionais específicos da atividade leiteira.

O especialista explica que, diferentemente do que ocorre no gado de corte confinado, no qual o bagaço pode atuar como principal fonte de volumoso, no gado de leite sua função é essencialmente complementar. “No leite, o bagaço entra como coadjuvante, com papel físico no rúmen, e não como base energética ou proteica da dieta”, afirma.

O principal ponto de atenção está na digestibilidade. O bagaço de cana é rico em lignina e fibras de baixa degradação ruminal, o que prolonga o tempo de retenção do alimento no rúmen. Esse efeito, conhecido no meio técnico como “enchimento”, pode limitar o consumo voluntário da vaca.

Quando o animal permanece saciado por mais tempo com um ingrediente de baixo valor nutricional, reduz a ingestão de concentrados e de volumosos de maior qualidade. Para vacas em lactação, essa redução impacta diretamente a produção de leite, uma vez que a dieta de alta performance exige elevada densidade energética.

Por essa razão, Kodel recomenda que a inclusão do bagaço de cana não ultrapasse 3% a 5% da matéria seca total da dieta de vacas em lactação. Acima desse patamar, o risco de queda produtiva aumenta, especialmente em rebanhos de média e alta produção.

Apesar das restrições quantitativas, o consultor ressalta que o bagaço possui uma função técnica relevante na saúde ruminal. Sua fibra física contribui para estimular a mastigação e a ruminação, favorecendo a produção de saliva e o controle do pH ruminal.

Nesse sentido, o bagaço pode atuar como aliado na prevenção de distúrbios metabólicos, como a acidose ruminal, comum em dietas com alta proporção de concentrado. “Ele ajuda a ‘moer’ a dieta dentro do rúmen, melhorando o processamento dos alimentos mais fermentáveis”, explica Kodel.

Para produtores que optam por utilizá-lo, a recomendação é sempre misturar o bagaço a ingredientes de maior valor nutricional. No caso apresentado pelo produtor maranhense, a orientação foi combiná-lo com silagem de milho e farelo de soja, equilibrando energia, proteína e fibra efetiva.

A silagem fornece digestibilidade e aporte energético, enquanto o farelo de soja complementa a proteína necessária à síntese de leite. O bagaço entra apenas para ajustar a estrutura física da dieta, sem assumir papel central na nutrição.

Do ponto de vista sanitário, o material é considerado seguro, não apresentando riscos de toxicidade quando corretamente armazenado e manejado. Além disso, possui boa aceitação pelos animais, especialmente quando associado a ingredientes mais palatáveis, como melaço ou farelos.

Ainda assim, Kodel reforça que o bagaço de cana não deve ser interpretado como solução para redução de custos à custa de desempenho. “No leite, eficiência alimentar e consumo são determinantes. Qualquer ingrediente que limite a ingestão precisa ser usado com extrema cautela”, observa.

Em síntese, o bagaço de cana pode integrar a dieta de vacas leiteiras como ferramenta de saúde digestiva, mas nunca como substituto de volumosos de alta qualidade. Enquanto na pecuária de corte ele cumpre a função de dar volume à dieta, na produção de leite seu papel é ajudar a vaca a processar melhor uma alimentação voltada à alta performance produtiva.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Giro do Boi

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta