O mercado de butter encerrou maio mostrando uma resistência maior do que muitos participantes esperavam.
Em um ambiente de aumento da produção global de leite e ampla disponibilidade de creme no Hemisfério Norte, o produto conseguiu recuperar preços no Global Dairy Trade (GDT), reforçando que a dinâmica da gordura láctea continua menos previsível do que o cenário de oferta sugeria.
Ao longo do mês, o butter viveu movimentos distintos. Primeiro, os preços recuaram 2,6%, chegando a US$5.525/t. Depois, vieram sinais de recomposição mais fortes do que o mercado antecipava. No segundo evento do GDT, o butter subiu 2,5% e fechou maio em US$5.674/t, superando expectativas apoiadas por uma atividade de compra considerada firme. O contrato C2 de butter sem sal encerrou em US$5.840/t, cerca de US$210/t acima das indicações futuras.
O comportamento chama atenção porque ocorre justamente em um momento de expansão relevante da oferta global de leite. Nova Zelândia, Estados Unidos, Austrália e Europa registraram crescimento de produção, enquanto a própria NZX destacou que os mercados de gordura láctea convivem atualmente com oferta abundante.
Ainda assim, a pressão sobre butterfat não se traduziu em uma queda linear nos preços do butter. O relatório mostra que a gordura láctea teve comportamento misto durante maio. O AMF perdeu força no fim do mês, refletindo demanda mais fraca do que o esperado, mas o butter conseguiu reagir sustentado por compras mais agressivas, especialmente da Ásia do Norte, principal compradora do produto nos eventos do GDT.
Esse contraste ajuda a explicar uma das mensagens centrais do mercado neste momento: mesmo com maior produção global, a distribuição da demanda continua influenciando diretamente o equilíbrio entre proteínas e gordura láctea. Enquanto leite em pó e proteínas mantiveram suporte importante durante boa parte de maio, o butter mostrou que ainda existe capacidade de absorção relevante para gordura, mesmo em um ambiente de maior disponibilidade física.
Para a cadeia láctea brasileira, o movimento reforça um ponto importante. O mercado internacional não está operando apenas sob lógica de oferta crescente. A velocidade das compras, o comportamento regional da demanda e a competitividade entre exportadores continuam determinando a formação de preços de curto prazo.
O próprio fluxo de comércio mostra isso. As exportações da Nova Zelândia cresceram 12,5% em abril, com alta de 22% nos embarques de butter, enquanto as exportações dos Estados Unidos também avançaram, apoiadas justamente por butter e AMF.
Ao mesmo tempo, a volatilidade permanece elevada. O relatório da NZX destaca que o ambiente geopolítico, os custos logísticos e o comportamento mais cauteloso dos compradores devem continuar influenciando o mercado nos próximos meses. Isso reduz a previsibilidade dos movimentos de preço e aumenta a importância de acompanhar não apenas a produção de leite, mas também os sinais de demanda efetiva nos leilões e no comércio internacional.
No fim de maio, o butter deixou uma mensagem clara ao mercado: mesmo diante de mais leite e mais gordura disponível, a demanda ainda consegue sustentar movimentos de recuperação quando a atividade compradora reaparece com intensidade.






