O calor extremo ameaça o queijo de 800 anos ao atingir diretamente todas as etapas de sua produção.
Na região italiana da Emília-Romanha, temperaturas superiores a 40°C estão reduzindo a produção de leite das vacas, aumentando o consumo de energia dos armazéns de maturação e obrigando produtores a adaptar uma cadeia produtiva construída ao longo de mais de oito séculos.
O impacto começa nos rebanhos. Com o aumento das temperaturas, as vacas passam a comer menos, permanecem mais tempo deitadas e podem registrar uma queda de até 10% na produção de leite. Como a matéria-prima é essencial para a fabricação do Parmigiano-Reggiano, as fazendas mantêm ventiladores e sistemas de nebulização funcionando durante as 24 horas do dia para reduzir os efeitos do calor sobre os animais.
Segundo Nicola Bertinelli, presidente da Associação do Queijo Parmigiano-Reggiano, o gado é altamente sensível às altas temperaturas. Ele explica que, quando o calor aumenta, os animais diminuem a ingestão de alimento, apresentam inchaço nas patas, descansam por mais tempo e, como consequência, produzem menos leite.
Mas os desafios não terminam nas fazendas. Depois de produzido, o Parmigiano-Reggiano permanece entre um e três anos em maturação, período em que o controle das condições ambientais se torna indispensável para preservar as características do queijo.
Por isso, os armazéns responsáveis por armazenar as peças também precisaram reforçar seus sistemas de refrigeração. A consequência imediata foi um aumento de aproximadamente 30% nas contas de energia elétrica.
Giancarlo Ravanetti, diretor-geral da Magazzini Generali Delle Tagliate, afirma que o consumo diário de eletricidade em seu armazém sobe de cerca de 8.500 para 12.000 quilowatts nos dias mais quentes. Segundo ele, as temperaturas elevadas durante a noite exercem um impacto especialmente significativo sobre essa demanda.
O desafio climático ocorre em uma cadeia de grande importância econômica para a Itália. A indústria do Parmigiano-Reggiano movimenta atualmente cerca de 4,5 bilhões de euros por ano, sendo que mais da metade da produção é destinada aos mercados internacionais.
Dos pastos aos galpões de maturação, cada etapa do processo vem sendo obrigada a se adaptar às temperaturas cada vez mais extremas. Para um queijo cuja tradição atravessa mais de 800 anos, preservar o ambiente onde ele é produzido tornou-se parte essencial da preservação de seu sabor.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Vietnam.vm






