ESPMEXENGBRAIND
2 jan 2026
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O avanço das canetas emagrecedoras amplia a demanda por proteínas e pressiona cadeias como a láctea, segundo a FTW 🥛
A popularização das canetas emagrecedoras acelera o consumo de proteínas e impõe desafios à oferta global 🧬
A popularização das canetas emagrecedoras acelera o consumo de proteínas e impõe desafios à oferta global 🧬

As canetas emagrecedoras passaram de tratamento específico para diabetes tipo 2 a um fenômeno global de consumo, e seus efeitos já começam a ser sentidos muito além do setor farmacêutico.

Segundo executivos da indústria de suplementos, a popularização dos medicamentos à base de GLP-1 está criando uma nova dinâmica de demanda no mercado global de proteínas, com impacto direto sobre o whey protein e, por consequência, sobre a cadeia láctea.

Para Daniel Mencacci, CEO e fundador da FTW, empresa brasileira de suplementos alimentares, o uso crescente das canetas emagrecedoras trouxe à tona uma preocupação que antes ficava restrita ao ambiente clínico: a preservação da massa muscular durante processos acelerados de perda de peso. De acordo com ele, estudos clínicos já indicam que entre 25% e 40% do peso eliminado por usuários desses medicamentos pode vir da massa magra.

Na avaliação do executivo, esse dado muda o papel da proteína na dieta. “A suplementação proteica deixa de ser apenas uma escolha estética ou esportiva e passa a ter uma função clínica clara: reduzir a perda muscular associada ao emagrecimento induzido por GLP-1”, afirma Mencacci. Esse movimento, segundo ele, tende a sustentar taxas elevadas de crescimento no consumo de whey protein e de outras proteínas de alto valor biológico nos próximos anos.

O ponto de inflexão, no entanto, ainda estaria por vir. De acordo com o fundador da FTW, a pressão sobre o mercado deve se intensificar a partir de 2026, quando expiram no Brasil as patentes da semaglutida, princípio ativo mais difundido nas canetas emagrecedoras. A abertura para novos fabricantes tende a reduzir preços, ampliar o acesso e acelerar ainda mais a adoção desses medicamentos.

Mesmo em cenários conservadores, Mencacci avalia que o impacto será estrutural. “Estamos falando de milhões de novos consumidores incorporando o uso contínuo dessas drogas. Isso gera uma necessidade permanente de ingestão adequada de proteína, não algo pontual”, explica. Na prática, o consumo deixa de estar associado apenas ao fitness ou à longevidade ativa e passa a ser parte do protocolo de emagrecimento.

Essa mudança de perfil do consumidor ocorre em um momento sensível para a oferta. O whey protein, principal fonte de proteína utilizada na suplementação, depende diretamente da indústria láctea e da disponibilidade de soro de leite. Como a expansão da produção de leite não responde rapidamente a choques de demanda, a capacidade de crescimento no curto prazo é limitada.

Esse descompasso ajuda a explicar, segundo o executivo, a tendência de elevação consistente nos preços observada em diferentes mercados. “A cadeia do whey não consegue acelerar no mesmo ritmo da demanda criada pelas canetas emagrecedoras. Isso pressiona desde a matéria-prima até o varejo”, afirma.

Diante dessas restrições, cresce o interesse por fontes alternativas de proteína. Mencacci observa um aumento nos investimentos em proteínas vegetais, proteínas obtidas por fermentação e soluções de origem animal que não dependem do soro lácteo. A própria FTW lançou recentemente uma proteína hidrolisada à base de carne, como forma de diversificar sua oferta e reduzir a dependência do whey.

Segundo ele, o desafio central não será apenas inovar em produtos, mas garantir acesso estável aos insumos. “As empresas que não se anteciparem a esse novo cenário podem enfrentar gargalos de abastecimento e dificuldades para atender à demanda crescente”, alerta. O risco, na visão do executivo, é que a concentração excessiva em poucas fontes de proteína amplifique a volatilidade do mercado.

Para o setor lácteo, o fenômeno representa ao mesmo tempo uma oportunidade e um desafio. Por um lado, a proteína do leite ganha ainda mais relevância estratégica. Por outro, a limitação de crescimento rápido da produção exige planejamento, investimentos e coordenação ao longo da cadeia.

Nesse contexto, Mencacci projeta que 2026 poderá marcar um período de reorganização do mercado global de proteínas. O cenário incluiria novos investimentos industriais, diversificação de matérias-primas, revisão de estratégias comerciais e maior integração entre os setores de alimentos, suplementos e saúde.

“O impacto das canetas emagrecedoras não é conjuntural. Trata-se de uma mudança estrutural na forma como a proteína é percebida e consumida”, conclui o CEO da FTW. Para a indústria, a mensagem é clara: quem entender essa transformação cedo terá vantagem competitiva em um mercado cada vez mais disputado.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Terra

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