A produção de leite em Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, fechou 2025 com 23,1 milhões de litros de leite inspecionado entregues à indústria, o maior volume da série histórica do município.
O dado chama atenção por um motivo pouco comum no setor: o recorde foi alcançado com bem menos produtores do que uma década atrás.
Em 2015, o município tinha 376 produtores de leite inspecionado. Em 2025, esse número caiu para 162, uma redução de 57%. Ainda assim, a produção total cresceu 85% no mesmo período. O resultado é reflexo direto de um processo de profissionalização das propriedades que permaneceram na atividade, segundo o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Jeferson Vidal Figueiredo.
O aumento de escala explica boa parte do salto. Há dez anos, o rebanho médio por propriedade era de 11 vacas. Hoje, essa média chegou a 27 animais, um crescimento de 143%. A produtividade individual também avançou: a média por vaca passou de 9,9 litros para 17,5 litros por dia, alta de 77%. Ou seja, propriedades maiores, com animais mais produtivos, sustentando um volume recorde mesmo com menos unidades produtivas na ponta.
Parte dessa transformação tem origem em uma decisão tomada coletivamente em 10 de junho de 2016, batizada de “Pacto do Leite”.
Na época, produtores, Emater, cooperativas de crédito, poder público e entidades do setor se reuniram para reverter um cenário de queda na produção local, agravado por preços pouco atrativos. “Sentamos esse dia e decidimos fazer uma mudança, trabalhar todos juntos para dar um novo retrato para a atividade leiteira. Uma década depois, a semente deu certo”, avaliou Figueiredo.
O avanço também aparece no ranking regional. Em 2015, Frederico Westphalen nem entrava entre os dez maiores produtores da região. Em 2025, ocupa a quarta posição, com potencial, segundo Figueiredo, de alcançar o terceiro lugar.
Na economia local, o impacto foi proporcional ao volume. O valor bruto recebido pelos produtores em 2025, já corrigido pelo IPCA, somou R$ 58,3 milhões. Em 2015, esse valor era de aproximadamente R$ 19 milhões, um crescimento real de 306%. Segundo Figueiredo, o efeito multiplicador desse montante sobre comércio, serviços, máquinas, insumos e transporte pode representar mais de R$ 150 milhões em circulação na economia do município.
O cenário de Frederico Westphalen contrasta com o do estado como um todo. No mesmo período em que o município mais que dobrou sua produção, a produção de leite do Rio Grande do Sul caiu 12,5%.
Apesar dos números positivos, o setor enfrenta desafios que não desapareceram com o crescimento da escala. A falta de mão de obra e o custo elevado de produção seguem entre as principais dificuldades apontadas pelos produtores.
Com margens cada vez mais apertadas, ganhar escala e produtividade deixou de ser apenas uma estratégia de crescimento para se tornar, segundo Figueiredo, uma condição de permanência na atividade. “Hoje o lucro é por centavos, por isso o produtor tem que acelerar a escala e a produtividade para se manter”, afirmou.
As entidades que integram o Pacto do Leite já revisam as metas estabelecidas em 2016, buscando manter o suporte técnico e a articulação entre os diferentes setores da cadeia — o mesmo modelo de cooperação que, segundo o agrônomo, sustentou o resultado alcançado em 2025.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por OBSERVADOR REGIONAL






