A Dália Alimentos projeta fechar 2026 com faturamento próximo de R$ 2,3 bilhões, mas o número, isoladamente, não explica o momento vivido pela cooperativa.
Com 3,2 mil funcionários e 2,2 mil famílias associadas, a empresa atravessa cenários bastante diferentes nas cadeias de suínos, aves e leite.
A orientação apresentada pelo presidente do Conselho de Administração, Gilberto Piccinini, é colocar o resultado — e não simplesmente o faturamento — no centro das decisões. A lógica também aparece na forma como a cooperativa avalia seu espaço para crescer.
No leite, o movimento é de concentração da produção em menos propriedades, com maior escala, tecnologia e produtividade. Cerca de 80 propriedades já respondem por 70% do leite recebido pela cooperativa.
Na avicultura, o problema é outro: há mercado para aumentar as vendas, mas falta ampliar a produção nas propriedades. A Dália processa cerca de 55 mil aves por turno e pretende chegar a 70 mil, o que depende da construção de novos núcleos de criação.
Já na suinocultura, o aumento da oferta mudou o cenário. Depois de um 2025 próximo do histórico para a atividade, com maior participação das exportações, 2026 trouxe preços abaixo dos custos de terminação.
A diferença entre as três cadeias ajuda a explicar por que a cooperativa não trata crescimento simplesmente como aumento de volume.
O leite ganha escala com menos propriedades
Na cadeia leiteira, a estratégia descrita pela cooperativa passa pela concentração do volume em um número menor de propriedades.
O resultado é uma estrutura na qual cerca de 80 propriedades entregam 70% do leite recebido pela Dália. A produção, segundo a cooperativa, avança com mais escala, tecnologia e produtividade.
Esse movimento se encaixa na visão de Piccinini de que o crescimento precisa gerar resultado e melhorar a remuneração das famílias associadas, e não apenas elevar os números de faturamento.
A posição também aparece em um contexto mais amplo de diversificação. Para a Dália, a atuação em três cadeias permite atravessar momentos diferentes do mercado, já que o desempenho de cada atividade não necessariamente acompanha o das demais.
Na avicultura, o limite está na propriedade
O espaço identificado para crescimento na avicultura é direto: a Dália afirma encontrar mercado para ampliar as vendas de produtos congelados e temperados.
A capacidade industrial atual é de aproximadamente 55 mil aves por turno, com objetivo de alcançar 70 mil.
O gargalo, porém, está antes da indústria. Para elevar o abate, será necessário aumentar o número de aves alojadas e financiar a construção de novos núcleos nas propriedades.
A estrutura atual do complexo avícola emprega cerca de 530 pessoas.
Suínos mostram o outro lado do crescimento
Na suinocultura, o cenário é inverso. A atividade teve desempenho próximo do histórico em 2025, favorecida pela abertura de mercados e pelo aumento das exportações, com destaque para as Filipinas.
Em 2026, porém, a expansão da produção passou a pressionar os preços. A avaliação apresentada pela cooperativa é que margens positivas estimularam produtores no Brasil e em outros países, enquanto conflitos e restrições comerciais reduziram alguns canais de venda.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 1,057 milhão de toneladas de carne suína, alta de 8,9%. A receita chegou a US$ 2,447 bilhões, crescimento de 4,8%.
Ainda assim, a maior oferta pressionou os preços. Na semana de 18 de setembro, a Associação de Criadores de Suínos do RS indicava preço-base de R$ 4,75 por quilo do suíno vivo, enquanto a referência estadual para produtores independentes era de R$ 5,23.
O levantamento do Itaú BBA citado na fonte estimou custo de terminação próximo de R$ 6,30 por quilo em agosto, diante de preço médio de R$ 4,78. A diferença correspondia a um prejuízo estimado em R$ 180 por animal.
Crescer sem transformar faturamento em objetivo
A projeção de R$ 2,3 bilhões representa um pequeno avanço sobre o ano anterior, segundo Piccinini. Mas a própria cooperativa estabelece outro parâmetro para avaliar seu desempenho: quanto o negócio deixa de resultado e quanto melhora a vida das famílias do campo.
Essa visão também limita a possibilidade de simplesmente reproduzir o modelo de grandes grupos presentes em diferentes regiões do país. Segundo Piccinini, limites territoriais, custos logísticos e o vínculo com os associados fazem parte dessa equação.
A alternativa apontada está em produtos de maior valor agregado, diferenciação e aproveitamento das três cadeias.
A Dália completa 80 anos em 2027. O desafio colocado para a cooperativa, portanto, não está apenas no faturamento projetado para 2026, mas nas decisões que serão tomadas para preparar os próximos ciclos do negócio.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Grupo A Hora






