ESPMEXENGBRAIND
24 set 2026
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Mais escala, novos investimentos e margens sob pressão desenham um cenário diferente para cada atividade 📈
Dalia
A cooperativa entra em uma nova fase, mas cada cadeia produtiva está exigindo uma resposta diferente.

A Dália Alimentos projeta fechar 2026 com faturamento próximo de R$ 2,3 bilhões, mas o número, isoladamente, não explica o momento vivido pela cooperativa.

Com 3,2 mil funcionários e 2,2 mil famílias associadas, a empresa atravessa cenários bastante diferentes nas cadeias de suínos, aves e leite.

A orientação apresentada pelo presidente do Conselho de Administração, Gilberto Piccinini, é colocar o resultado — e não simplesmente o faturamento — no centro das decisões. A lógica também aparece na forma como a cooperativa avalia seu espaço para crescer.

No leite, o movimento é de concentração da produção em menos propriedades, com maior escala, tecnologia e produtividade. Cerca de 80 propriedades já respondem por 70% do leite recebido pela cooperativa.

Na avicultura, o problema é outro: há mercado para aumentar as vendas, mas falta ampliar a produção nas propriedades. A Dália processa cerca de 55 mil aves por turno e pretende chegar a 70 mil, o que depende da construção de novos núcleos de criação.

Já na suinocultura, o aumento da oferta mudou o cenário. Depois de um 2025 próximo do histórico para a atividade, com maior participação das exportações, 2026 trouxe preços abaixo dos custos de terminação.

A diferença entre as três cadeias ajuda a explicar por que a cooperativa não trata crescimento simplesmente como aumento de volume.

O leite ganha escala com menos propriedades

Na cadeia leiteira, a estratégia descrita pela cooperativa passa pela concentração do volume em um número menor de propriedades.

O resultado é uma estrutura na qual cerca de 80 propriedades entregam 70% do leite recebido pela Dália. A produção, segundo a cooperativa, avança com mais escala, tecnologia e produtividade.

Esse movimento se encaixa na visão de Piccinini de que o crescimento precisa gerar resultado e melhorar a remuneração das famílias associadas, e não apenas elevar os números de faturamento.

A posição também aparece em um contexto mais amplo de diversificação. Para a Dália, a atuação em três cadeias permite atravessar momentos diferentes do mercado, já que o desempenho de cada atividade não necessariamente acompanha o das demais.

Na avicultura, o limite está na propriedade

O espaço identificado para crescimento na avicultura é direto: a Dália afirma encontrar mercado para ampliar as vendas de produtos congelados e temperados.

A capacidade industrial atual é de aproximadamente 55 mil aves por turno, com objetivo de alcançar 70 mil.

O gargalo, porém, está antes da indústria. Para elevar o abate, será necessário aumentar o número de aves alojadas e financiar a construção de novos núcleos nas propriedades.

A estrutura atual do complexo avícola emprega cerca de 530 pessoas.

Suínos mostram o outro lado do crescimento

Na suinocultura, o cenário é inverso. A atividade teve desempenho próximo do histórico em 2025, favorecida pela abertura de mercados e pelo aumento das exportações, com destaque para as Filipinas.

Em 2026, porém, a expansão da produção passou a pressionar os preços. A avaliação apresentada pela cooperativa é que margens positivas estimularam produtores no Brasil e em outros países, enquanto conflitos e restrições comerciais reduziram alguns canais de venda.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 1,057 milhão de toneladas de carne suína, alta de 8,9%. A receita chegou a US$ 2,447 bilhões, crescimento de 4,8%.

Ainda assim, a maior oferta pressionou os preços. Na semana de 18 de setembro, a Associação de Criadores de Suínos do RS indicava preço-base de R$ 4,75 por quilo do suíno vivo, enquanto a referência estadual para produtores independentes era de R$ 5,23.

O levantamento do Itaú BBA citado na fonte estimou custo de terminação próximo de R$ 6,30 por quilo em agosto, diante de preço médio de R$ 4,78. A diferença correspondia a um prejuízo estimado em R$ 180 por animal.

Crescer sem transformar faturamento em objetivo

A projeção de R$ 2,3 bilhões representa um pequeno avanço sobre o ano anterior, segundo Piccinini. Mas a própria cooperativa estabelece outro parâmetro para avaliar seu desempenho: quanto o negócio deixa de resultado e quanto melhora a vida das famílias do campo.

Essa visão também limita a possibilidade de simplesmente reproduzir o modelo de grandes grupos presentes em diferentes regiões do país. Segundo Piccinini, limites territoriais, custos logísticos e o vínculo com os associados fazem parte dessa equação.

A alternativa apontada está em produtos de maior valor agregado, diferenciação e aproveitamento das três cadeias.

A Dália completa 80 anos em 2027. O desafio colocado para a cooperativa, portanto, não está apenas no faturamento projetado para 2026, mas nas decisões que serão tomadas para preparar os próximos ciclos do negócio.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Grupo A Hora

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