A Danone acaba de dar um passo que diz menos sobre uma fábrica e mais sobre para onde está indo o apetite do consumidor brasileiro.
Em agosto, a companhia inaugurou uma nova linha de produção na sua unidade de Poços de Caldas (MG), motivada por um movimento que a própria empresa descreve como estrutural: a proteína deixou de ser item de nicho esportivo e passou a ocupar a rotina alimentar de diferentes perfis de consumidores no país.
É esse deslocamento de demanda que justifica o investimento. Segundo Mário Rezende, VP de Operações da Danone Brasil, a expansão acompanha uma transformação de hábitos observada há anos, e a linha recém-inaugurada vai reforçar especificamente a produção de itens de alta proteína — categoria que a companhia associa a preocupações crescentes dos consumidores com bem-estar, saciedade e longevidade. A fábrica de Poços de Caldas concentra marcas como YoPRO, Danone, Danette, Danoninho e Activia, e nos últimos dez anos recebeu quase R$ 1 bilhão em investimentos industriais no Brasil.
Mas a decisão não fica restrita ao chão de fábrica. Toda ampliação de capacidade em lácteos pressiona a ponta que fornece a matéria-prima, e é aí que entra a Jornada Flora, o programa de agricultura regenerativa da Danone que hoje responde por cerca de 60% do leite captado pela empresa no Brasil. Produtores parceiros recebem apoio técnico para aumentar produtividade, melhorar o bem-estar animal e reduzir emissões — desde 2020, o programa já derrubou em 50% o fator de emissão de CO₂ e em 43% o de metano na cadeia de leite fresco da companhia, além de gerar, em média, R$ 116 de retorno para cada R$ 100 investidos anualmente nas propriedades rurais. Para Camilo Wittica, VP de Assuntos Institucionais da Danone Brasil, o crescimento da demanda por proteínas de qualidade exige justamente essa cadeia mais eficiente e resiliente, e a expansão de Poços de Caldas reforça essa lógica.
Dentro da fábrica, a eficiência também passa pela tecnologia. Sensores de condutividade foram instalados para identificar com precisão a passagem de água, mistura e produto nas tubulações industriais, reduzindo perdas de matéria-prima — uma solução que já virou referência interna e está sendo avaliada para outras plantas da Danone. Outra frente é a manutenção: a unidade opera hoje com 11 impressoras 3D dedicadas a reproduzir peças plásticas de equipamentos fabris, o que encurta prazos de reposição e dá mais autonomia à operação.
O movimento em Poços de Caldas também se conecta a um compromisso maior da companhia. A Danone é certificada como B Corp no Brasil desde 2021 e globalmente desde 2025, e a expansão integra a chamada Jornada de Impacto, estratégia que combina desempenho econômico com metas de nutrição, desenvolvimento de pessoas e regeneração ambiental até 2030. No país há 55 anos, a multinacional registrou vendas globais de €27,4 bilhões em 2024 e opera em mais de 120 mercados — números que dão escala a uma aposta que, no fim, começa numa fazenda de leite fresco em Minas Gerais.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por G1






