ESPMEXENGBRAIND
16 set 2026
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Os números oficiais do segundo trimestre mostram uma virada de ritmo que pode pesar sobre toda a cadeia produtiva 📉
leite
Depois de um começo de ano animador, o setor lácteo brasileiro esbarrou em um obstáculo que os dados não deixam esconder 🥛

A produção de leite no Brasil começou 2026 em ritmo acelerado, mas perdeu força ao longo do ano.

É o que revela a Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE, que traçou um retrato preciso da desaceleração enfrentada pelo setor entre o primeiro e o segundo trimestre.

Os dados mostram uma queda expressiva no ritmo de crescimento da captação de leite cru pelos laticínios brasileiros. No primeiro trimestre, o volume adquirido havia avançado 2,7% na comparação anual, somando 6,79 bilhões de litros. Três meses depois, esse crescimento caiu para apenas 1%, com 6,61 bilhões de litros captados entre abril e junho.

O detalhamento mensal ajuda a entender como essa freada aconteceu. Abril ainda manteve um ritmo relativamente forte, com alta de 1,9% e 2,16 bilhões de litros captados. Mas em maio o crescimento despencou para 0,4%, com 2,23 bilhões de litros. Em junho houve uma leve recuperação, com avanço de 0,7% e 2,22 bilhões de litros, mas o patamar ficou longe do observado no início do ano.

O movimento não se restringiu à captação. A quantidade de leite processado pela indústria seguiu exatamente o mesmo padrão: crescimento de 2,7% no primeiro trimestre contra apenas 1,1% no segundo. Mês a mês, a indústria processou 2,16 bilhões de litros em abril (+2%), 2,23 bilhões em maio (+0,5%) e 2,22 bilhões em junho (+0,9%) — uma trajetória quase idêntica à da captação, o que reforça que a desaceleração não é um desvio pontual, mas um movimento consistente na oferta de matéria-prima.

Apesar do freio no segundo trimestre, o balanço acumulado do primeiro semestre de 2026 ainda é positivo. A captação de leite cru somou 13,4 bilhões de litros, alta de 1,8% sobre os 13,16 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Já o volume industrializado chegou a 13,39 bilhões de litros, avanço de 1,9%. Os números do semestre, portanto, ainda refletem o impulso inicial do ano — mas escondem a mudança de rota que já se consolidou no segundo trimestre.

Essa mudança de ritmo tem peso para toda a cadeia láctea. Uma oferta de matéria-prima que cresce mais devagar tende a influenciar diretamente o comportamento dos preços pagos ao produtor e as margens da indústria processadora nos próximos meses. Se a tendência de desaceleração observada entre abril e junho se mantiver, o mercado brasileiro de lácteos pode entrar na segunda metade do ano com uma dinâmica de oferta bem diferente da que marcou o início de 2026.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CNN Brasil

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