O sucesso na produção de leite está no planejamento elaborado e na determinação analítica do sistema operacional ideal para a sua propriedade.
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Naturalmente, sistemas de confinamento necessitam de maior investimento por parte do produtor, com destaque para as máquinas e benfeitorias.
Precisamos falar sobre o ganho de eficiência na atividade leiteira. Assim como em outras atividades pecuárias (bovinocultura de corte, avicultura e suinocultura), o aumento da escala de produção é fundamental para as viabilidades econômica e financeira do empreendimento rural.

Em tempos nos quais a margem por litro de leite está cada vez menor, a saída é aumentar o volume de leite produzido, com gestão e eficiência, para manter o ganho similar ao dos anos anteriores. Em momentos de crise, isto é, de custos de produção elevados no que tange, principalmente, os custos alimentares, trabalhar o sistema com eficiência é fundamental para a diluição dos custos.

Muitos consultores e produtores encontram nos confinamentos a solução para esse problema, visto que, em geral, esses modelos de negócio proporcionam elevação da produtividade a partir de melhorias na ambiência e conforto do rebanho em produção. Mas, será essa a única solução ou podemos trabalhar com bons níveis de eficiência em qualquer sistema de produção?

Atualmente, possuímos quatro sistemas de produção bem definidos: o semiconfinamento, no qual, no verão, as vacas em lactação se alimentam em regime de pastejo e, no inverno, são suplementadas com outra forrageira, no cocho; o confinamento sem estrutura definida, que se caracteriza pela suplementação das vacas durante todo o ano, no cocho e em pistas de trato, e o Compost Barn e o Free Stall, que são confinamentos estruturados em barracões e com espaços de cama para as vacas.

Naturalmente, sistemas de confinamento necessitam de maior investimento por parte do produtor, com destaque para as máquinas e benfeitorias. No Gráfico 1, observamos as médias de investimento por hectare, considerando o capital em terra, animais, benfeitorias, máquinas e forrageiras não anuais de cada modelo de negócio utilizado na pecuária leiteira.

Gráfico 1. Estoque de capital por hectare, estratificado entre os sistemas de produção da atividade leiteira.

 

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural. Dados de janeiro a dezembro de 2021, corrigidos pelo IGP-DI de fevereiro de 2022.  

Conforme revelado, as fazendas que operam no sistema semiconfinado investem R$ 25.186/ha. Já as que trabalham com o sistema confinado sem estrutura investem R$ 39.125, enquanto as que utilizam Compost Barn e Free Stall investem R$ 54.469/ha e R$ 55.516/ ha, respectivamente (Gráfico 1).

A aplicação do capital em terra é maior nos sistemas de confinamento, uma vez que as fazendas que trabalham com esse modelo de negócio estão concentradas em regiões onde o custo por hectare é mais elevado. Assim, a concorrência com outras atividades, como o plantio de milho, soja e café, faz com que o produtor de leite busque maior eficiência no uso da terra, sendo essa uma das justificativas para a preferência por sistemas de maior investimento por hectare, visando, assim, maior margem de lucro.

À medida que migramos para sistemas de confinamento, o capital investido em animais, máquinas e benfeitorias por unidade de área aumenta significativamente. Isso se justifica pela alta demanda por tecnificação para alojar animais mais produtivos em menos hectares, característica comum de modelos de negócio confinados, como apresentado no Gráfico 2.

Gráfico 2. Capacidade suporte de vacas em lactação por hectare nos diferentes sistemas de produção da atividade leiteira.

 

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural. Dados de janeiro de 2021 a dezembro de 2021. 

O sistema de confinamento com estrutura atinge quase três vezes mais vacas em lactação por hectare em relação às fazendas que adotam o modelo de negócio semiconfinado. A produção intensiva de forragens, principalmente a silagem de milho, é a principal justificativa para o indicador atingido pelas propriedades com Compost Barn e Free Stall possuir tal comportamento.

Avaliando o estoque de capital por vaca em lactação (Gráfico 3), notamos que quanto maior a capacidade suporte das propriedades de confinamento, mais esse indicador dilui. Desse modo, o capital aportado na atividade leiteira por vaca é menor para as fazendas com Compost Barn e Free Stall, quando comparado às fazendas de semiconfinamento.

Gráfico 3. Estoque de capital por vaca em lactação nos diferentes sistemas de produção da atividade leiteira.

 

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural. Dados de janeiro a dezembro de 2021, corrigidos pelo IGP-DI de fevereiro de 2022. 

Além desse efeito, vacas alojadas em sistemas de maior investimento por hectare, na maioria das vezes, são mais produtivas. As fazendas que trabalham com semiconfinamento atingem, em média, 15,6 litros de leite por vaca em lactação por dia; o confinamento sem estrutura, 17,9 litros, e o Compost Barn e o Free Stall, 26,2 e 28,9 litros, respectivamente.

O somatório entre o maior número de vacas em lactação por hectare e a maior produtividade por vaca em lactação faz com que a produção por área para pecuária nos sistemas de confinamento com estrutura seja maior do que a dos sistemas de semiconfinamento e confinamento sem estrutura, como é possível observar no Gráfico 4.

Gráfico 4. Produção de leite por área para pecuária nos diferentes sistemas de produção da atividade leiteira.

 

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural. Dados de janeiro de 2021 a dezembro de 2021, corrigidos pelo IGP-DI de fevereiro de 2022.

A maior produtividade por hectare das propriedades de confinamento com estrutura garantiu maior eficiência em converter capital imobilizado na atividade leiteira em renda. As fazendas de semiconfinamento investiram R$ 2.731 para a produção de um litro de leite por dia, enquanto as fazendas de Free Stall necessitaram, em média, de R$ 1.201 por litro (Gráfico 5). Diferença significativa, não é mesmo?

Gráfico 5. Estoque de capital médio por litro de leite nos diferentes sistemas de produção da atividade leiteira.

 

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural. Dados de janeiro de 2021 a dezembro de 2021, corrigidos pelo IGP-DI de fevereiro de 2022.

Além dos indicadores técnicos e daqueles que calculam a eficiência dos investimentos realizados, devemos nos atentar às margens atingidas em cada modelo de negócio. Para essa análise, descrevemos as margens líquidas da atividade leiteira por hectare, no ano de 2021 (Gráfico 6).

Gráfico 6. Margem líquida por hectare nos diferentes sistemas de produção da atividade leiteira.

 

Fonte: Departamento de inteligência da Labor Rural. Dados de janeiro de 2021 a dezembro de 2021, corrigidos pelo IGP-DI de fevereiro de 2022.

A margem líquida é o que sobra no bolso do produtor após pagar todos os custos operacionais efetivos (concentrado, volumoso, mão de obra contratada, energia e combustíveis etc.), a depreciação e o pró-labore da mão de obra familiar. A margem líquida por hectare foi superior nas propriedades de Compost Barn e menor nas fazendas de semiconfinamento, número justificado pela maior eficiência técnica e econômica atingida nos confinamentos. Contudo, até aqui, foram demonstrados dados médios de robusto banco de informações. Portanto, antes de realizar qualquer investimento em sua propriedade, é necessário realizar análise criteriosa do SEU modelo de negócio e saber onde você deseja chegar com a atividade.

Como em qualquer outro empreendimento, rural ou urbano, existem empresários que se beneficiam economicamente (ou não) da atividade exercida. Na pecuária leiteira não é diferente. Para demonstrarmos essa realidade, dividimos as propriedades de acordo com a taxa de remuneração do capital com terra, que retrata a rentabilidade do investimento na atividade leiteira e indica se ele é atrativo ou não ao produtor. Nessa análise, denominamos “inferiores” as propriedades que obtiveram as menores rentabilidades e “superiores” as de maiores rentabilidades (Gráfico 7).

Gráfico 7. Taxa de retorno do capital com terra, nos diferentes sistemas de produção da atividade leiteira.

 

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural. Dados de janeiro a dezembro de 2021, corrigidos pelo IGP-DI de fevereiro de 2022.  

É possível observar que a taxa de retorno do capital com terra operou acima de 14%, em média, nas fazendas superiores dos quatro sistemas de produção, o que demonstra que a atividade leiteira é viável e atrativa economicamente para essas propriedades. Entretanto, para o grupo das inferiores, a melhor média foi de 1,6% para as fazendas de Free Stall, revelando que o investimento na atividade leiteira demonstrou viabilidade, mas não foi atrativo. A constatação sugere que, em qualquer modelo de negócio, é possível ganhar ou perder dinheiro.

Os números médios de propriedades com estruturas diferentes – confinamento com ou sem estrutura ou semiconfinamento – podem não ser sufi cientes para definir o sucesso da atividade leiteira. A afirmação “O Compost Barn vai resolver todos os meus problemas” nem sempre é verdadeira. Por isso, antes de migrar de sistema, estabeleça qual será o máximo produtivo dentro do seu modelo de negócio e busque responder as perguntas: esse é o momento para realizar altos investimentos? O rebanho possui potencial genético de resposta em produção leiteira? O sistema fornece condições para a produção do volume de alimento demandado por um rebanho em confinamento?

Em tempos de taxas de juros elevadas, como o atual, consulte especialistas em pecuária leiteira e faça bom planejamento da viabilidade técnica e econômica do modelo operacional pretendido, antes de tomar qualquer decisão. Afinal, lembre-se, planejando com calma e competência, sua chance de errar é fortemente reduzida. E aí, o seu negócio deverá ser guiado pela estratégia ou pela sorte?

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Embora o vírus até agora não tenha mostrado nenhuma evidência genética de adquirir a capacidade de se espalhar de pessoa para pessoa, as autoridades de saúde pública estão monitorando de perto a situação da vaca leiteira como parte dos esforços gerais de preparação para a pandemia.

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