ESPMEXENGBRAIND
17 jun 2026
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🌦️ A preocupação não está apenas na produção. Custos, alimentação e manejo entram no centro das atenções para 2027.
Niño
🌱 Pastagens, silagem e estresse térmico entram no radar dos produtores diante das projeções para 2026/27.

O El Niño voltou ao centro das atenções da cadeia láctea, mas não necessariamente por uma ameaça direta à produção de leite.

As análises apresentadas pela StoneX indicam que o principal ponto de atenção para os próximos meses está nos efeitos sobre custos de produção, disponibilidade de alimentos para os rebanhos e condições de manejo, fatores que podem influenciar a rentabilidade da atividade e, posteriormente, o comportamento do mercado.

A preocupação ganhou força após a NOAA indicar probabilidade de 63% de um episódio muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O período coincide com uma fase estratégica para a formação de pastagens e para o desenvolvimento de culturas destinadas à alimentação animal em importantes regiões produtoras da América do Sul.

Segundo a análise da StoneX, os impactos potenciais envolvem redução da disponibilidade de forragem, maior estresse térmico sobre os animais, aumento da incidência de doenças e possíveis dificuldades logísticas e de captação. Esses fatores podem elevar os gastos com alimentação e manejo, pressionando a eficiência econômica das propriedades.

Apesar disso, os dados históricos avaliados pela consultoria mostram que não existe uma correlação consistente entre episódios de El Niño e o desempenho da produção brasileira de leite. A ampla distribuição geográfica da atividade faz com que perdas observadas em determinadas regiões sejam frequentemente compensadas por condições mais favoráveis em outras áreas do país.

Essa característica reforça que o impacto do fenômeno tende a ser regionalizado. No Nordeste, onde houve avanço da produção nos últimos anos, Bahia, Sergipe e Alagoas aparecem entre os estados mais expostos ao risco de redução das chuvas. A possibilidade de déficit hídrico entre fevereiro e março de 2027 pode comprometer a produção de forragem, aumentar a necessidade de suplementação alimentar e afetar a produtividade dos rebanhos.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a atenção se concentra sobre a irregularidade das chuvas e as temperaturas mais elevadas. Em estados como Minas Gerais e Goiás, as condições climáticas durante a safra do leite influenciam diretamente o desenvolvimento das pastagens e das culturas voltadas à produção de silagem. O aumento do estresse térmico também representa um fator de risco para consumo de alimento, reprodução e desempenho produtivo dos animais.

Enquanto isso, o cenário projetado para o Sul do Brasil e para países do Mercosul tende a ser mais favorável. A expectativa de maior volume de chuvas pode beneficiar pastagens e disponibilidade de silagem. Ainda assim, o excesso de umidade também pode trazer desafios operacionais, incluindo dificuldades de manejo, aumento de doenças e obstáculos para a logística de coleta.

No mercado internacional, o fenômeno também é acompanhado de perto por produtores e exportadores. Austrália e Nova Zelândia, importantes fornecedores globais de lácteos, podem enfrentar alterações nas condições climáticas de produção. No entanto, os estudos citados pela StoneX apontam que, assim como ocorre no Brasil, fatores estruturais, tecnológicos e econômicos costumam exercer influência mais significativa sobre os resultados da atividade do que o próprio índice climático.

Por isso, a principal mensagem para a cadeia láctea não é a previsão de uma queda generalizada da produção. O foco está na capacidade de adaptação diante de possíveis mudanças nas condições de produção. Caso o El Niño confirme a intensidade projetada e permaneça ativo por período prolongado, os impactos sobre custos e oferta poderão se tornar mais evidentes em 2027, alterando o equilíbrio do mercado e sustentando movimentos de valorização dos preços do leite e dos derivados.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CNN Brasil

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