A escravidão moderna apareceu nas cadeias de suprimentos de quase todas as empresas de alimentos e bebidas ouvidas em um novo relatório.
Encomendado pela British Standards Institution (BSI) e elaborado em conjunto com o Chartered Institute of Procurement & Supply (CIPS), o estudo mostra que 97% das companhias do setor identificaram, nos últimos 12 meses, casos de escravidão moderna ou violações graves de direitos trabalhistas. É a maior proporção entre todos os setores analisados.
O número, porém, não é o único alerta. O relatório expõe um descompasso entre confiança e evidência: 80% dos líderes empresariais no mundo acreditam ter provas suficientes de que suas cadeias estão livres de escravidão moderna, mas só 22% afirmam ter visibilidade completa sobre os fornecedores terceirizados. Para os autores, o dado levanta dúvidas sobre o quanto as empresas realmente examinam suas cadeias.
No setor de alimentos e bebidas, a visibilidade esbarra em uma falha de contrato. Quase duas em cada cinco empresas (39%) não exigem que seus fornecedores informem quem são os fornecedores deles, o que limita o olhar às relações diretas. Já os canais de denúncia, que deveriam funcionar como alarme, também carecem de comprovação: apenas 36% das companhias do setor conseguem demonstrar o impacto desses mecanismos, o menor índice entre todos os setores.
Para Harold Pradal, presidente de serviços de assurance da BSI, os resultados indicam que as organizações estão procurando ativamente os riscos e encontrando parte deles. “O desafio é conseguir demonstrar o impacto e mostrar que essas intervenções melhoram as condições dos trabalhadores”, afirmou. Segundo ele, combater a escravidão moderna é uma questão de promover mudanças concretas.
O executivo também aponta que as expectativas regulatórias continuam evoluindo. Por isso, diz, as organizações precisam ir além de abordagens centradas em conformidade e passar a medir resultados, ampliar a visibilidade sobre fornecedores e construir mais transparência e confiança. “A questão não é mais se as empresas estão agindo, mas se conseguem demonstrar que essa ação traz melhorias reais para trabalhadores vulneráveis”, resumiu.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter






