As exportações da Conaprole avançam no exercício 2025/26, mas começam a enfrentar restrições na etapa mais sensível da operação: o embarque.
Apesar do bom ritmo de vendas externas, parte dos volumes já negociados ainda não foi despachada devido a “temas logísticos”, o que desloca o foco da demanda para a execução.
Segundo o vice-presidente Alejandro Pérez Viazzi, o nível de vendas está inclusive acima do desejável diante das condições atuais. Na prática, isso significa que o desafio deixou de ser comercial. A cooperativa já colocou produto no mercado internacional, mas precisa agora transformar esses negócios em embarques efetivos.
Esse descompasso entre vendas e envios altera a dinâmica operacional. Não se trata de falta de mercado, mas de limitações na saída física do produto. Para quem depende desses fluxos, o ponto crítico passa a ser o cumprimento dos embarques, com impacto direto sobre prazos e previsibilidade.
Para o mercado brasileiro, esse cenário adiciona um elemento de atenção no abastecimento. Mesmo com compras realizadas, atrasos logísticos podem postergar a chegada do produto, afetando a programação industrial de quem utiliza leite em pó importado como insumo.
Ao mesmo tempo, surge um segundo vetor de incerteza. Avança no Brasil um projeto de lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado e outros derivados para consumo humano. A proposta define reconstituição como a adição de água ao pó para transformá-lo em leite líquido ou utilizá-lo na fabricação de produtos como queijos, iogurtes, leite condensado ou creme.
Embora ainda não esteja regulamentada, a iniciativa tem impacto potencial direto sobre o comércio bilateral. De acordo com Pérez Viazzi, qualquer regulamentação desse tipo afeta o fluxo comercial com um dos principais destinos das exportações.
O ponto central está no uso do produto. Caso haja restrições à reconstituição, a funcionalidade do leite em pó importado dentro da indústria brasileira pode ser limitada. Isso altera a lógica de demanda, independentemente do volume disponível para importação.
Em paralelo, não há novidades sobre a investigação de dumping no Brasil, o que mantém esse tema sem mudanças no curto prazo. Ainda assim, o cenário combina duas pressões simultâneas: desafios logísticos na origem e possível mudança regulatória no destino.
Nesse contexto, a leitura de mercado exige atenção à execução dos embarques e ao avanço das definições no Brasil. Com negócios já concretizados, a variável crítica passa a ser a capacidade de entrega e as condições de uso do produto no mercado de destino.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Tardágila






