A fórmula da ração animal está passando por uma reavaliação. O concentrado proteico de soja (SPC) tem ganhado espaço: pode ampliar sua participação em formulações que já o utilizam e entrar em produtos que ainda dependem de fontes proteicas lácteas.
O motivo é a menor disponibilidade de soro de leite para a nutrição animal, que ampliou os custos do setor.
Segundo Bruno Wernick, gerente técnico de vendas da Rio Pardo Proteína Vegetal, o SPC se encaixa melhor em dietas que exigem alto nível de digestão, principalmente nas fases iniciais. Em rações pré-iniciais e iniciais para leitões recém-desmamados, o ingrediente pode substituir parcialmente o leite desnatado, o soro de leite em pó e a farinha de peixe, graças à alta digestibilidade e ao baixíssimo conteúdo de fatores antinutricionais.
A lista vai além dos suínos. O concentrado atende às necessidades nutricionais de bezerros de até sete semanas, fase em que o sistema digestivo ainda se aproxima mais do padrão dos monogástricos do que do dos ruminantes. Também pode compor rações para pintinhos, cães, gatos, peixes e camarões, afirma Wernick, médico-veterinário com mais de 30 anos de experiência em nutrição animal.
Estudos da Aquadvise, no Chile, da UFV e da Unesp apontaram que concentrados vegetais de soja têm digestibilidade superior a 98% em salmões, 94,32% em suínos e 83,7% em aves.
A Quimtia, multinacional que produz rações e premixes para bovinos, suínos, aves, organismos aquáticos, animais de companhia e de zoológico, está entre as empresas que avaliam o ingrediente. Segundo Betina Odebrecht, compradora da companhia, a busca por alternativas decorre da oferta irregular e da oscilação de preços dos derivados lácteos. Ela afirma que há pressão importante sobre a disponibilidade de soro de leite e de concentrados proteicos de soro.
Pesa também o rigor da nutrição animal. Para Betina, o mercado oferece poucas alternativas, e o setor exige padrões rigorosos de qualidade e composição nutricional, com certificação de toda a cadeia, sobretudo no caso de ingredientes de origem animal. Isso aumenta o interesse pelos concentrados vegetais, embora a adaptação da indústria ainda seja gradual.
Para Wernick, o momento favorece uma participação maior do SPC nas formulações das empresas que já trabalham com ele. Para as que ainda não o utilizam, a menor disponibilidade do soro abre espaço para avaliar a alternativa.
A pressão sobre o soro vem de fora da fábrica de ração: a demanda por whey protein e outros produtos com proteína para consumo humano. Dados da StoneX mostram que o preço do WPC 80 subiu entre 90% e 105% em 12 meses, e a queda da produção leiteira na Europa agrava a oferta. Wernick cita um distribuidor da Rio Pardo na Holanda, onde embalagens de whey de 900 gramas passaram de cerca de US$ 7 (R$ 35) para aproximadamente 16 euros (R$ 95).
A dependência de importações também cresceu. Segundo Betina, Goiás importou 374,4 toneladas de soro de leite no primeiro semestre, 17,9% a mais que no mesmo período de 2025, e o produto, vindo principalmente da Argentina, respondeu por 87,2% das compras de lácteos do estado. Enquanto isso, diz ela, a concorrência com a nutrição humana se intensifica.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Compre Rural






