Campanha da Famurs pelo leite gaúcho: impacto de R$ 1 bilhão e o papel da entidade em iniciativas de valorização local.
A Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) lançou, em meados de julho, uma campanha institucional para estimular o consumo de leite gaúcho em prefeituras e órgãos públicos do Estado. O lançamento ocorreu em 14 de julho, durante o 33º Seminário dos Secretários Municipais de Agricultura, na sede da entidade em Porto Alegre.
A proposta é simples: que prefeituras e repartições municipais priorizem o produto local em suas atividades diárias e eventos oficiais. Segundo a Famurs, o custo de adesão é baixo — a estimativa é de um consumo médio de seis litros de leite por dia em cada estrutura pública participante, o equivalente a um gasto diário de R$ 29,40.
O retorno projetado, no entanto, é significativo. A entidade calcula que um aumento de apenas 10% no consumo per capita de leite no Rio Grande do Sul pode movimentar mais de R$ 1 bilhão por ano em toda a cadeia produtiva, beneficiando produtores, cooperativas, indústrias, transportadoras e o comércio.
453 municípios produtores
O presidente da Famurs e prefeito de Imbé, Ique Vedovato, destacou que o Rio Grande do Sul conta com 453 municípios produtores de leite, o que reforça o peso econômico e social da atividade para milhares de famílias rurais. Segundo o dirigente, a decisão de compra do poder público local pode fazer diferença direta na renda de quem produz e na movimentação da economia regional.
A entidade já enviou materiais gráficos aos municípios interessados em aderir, com o pedido de que a divulgação nas redes sociais marque o perfil oficial da Famurs.
Quem ganha com a campanha
O primeiro elo beneficiado é o produtor de leite, especialmente da agricultura familiar: maior demanda local tende a melhorar o preço pago na porteira e a dar mais previsibilidade comercial. Na sequência, cooperativas e indústrias de laticínios ampliam o volume captado e processado — leite fluido, queijos, iogurtes e leite em pó —, o que fortalece a capacidade instalada do setor no Estado.
O transporte e a logística também são impactados, com maior fluxo de leite cru e produtos lácteos entre propriedades, indústrias e pontos de distribuição. No varejo, supermercados, padarias e distribuidores locais têm a possibilidade de aumentar as vendas de produtos gaúchos, sobretudo se a preferência institucional se consolidar.
O argumento da reforma tributária
Um ponto central da campanha é sua conexão com a reforma tributária em curso no país. Segundo o assessor técnico da Famurs, Ismael Horbach, a substituição do ICMS e do ISS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS muda a lógica de arrecadação, vinculando-a mais diretamente ao local de consumo e à dinâmica econômica regional.
Na leitura da entidade, isso significa que incentivar o consumo de produtos locais — como o leite gaúcho — pode ampliar a arrecadação dos municípios no médio e longo prazo, ao fortalecer a base produtiva e a circulação de valor dentro do Estado. A Famurs apresenta esse argumento como um incentivo adicional para que as prefeituras aderam: além do apoio ao produtor rural, a medida teria potencial de reforçar a saúde fiscal municipal no novo modelo tributário.
Histórico de ações da entidade
A campanha do leite se soma a outras iniciativas recentes da Famurs voltadas ao fortalecimento da economia municipal e da identidade gaúcha. Em setembro de 2025, a entidade participou da Ganha-Ganha Farroupilha, coordenada pelo governo estadual, avaliando e premiando as melhores vitrines temáticas dos municípios — ação que envolveu mais de 1.700 lojas cadastradas.
Em fevereiro de 2026, a Famurs lançou a campanha “VIDA: todos por Ela”, de combate à violência contra a mulher, e também promoveu ações de saúde mental, como a adesão ao Janeiro Branco em 2025. A entidade completou 50 anos em maio de 2026, marco celebrado com o lançamento de um livro histórico.
Resultados ainda não consolidados
Como o lançamento ocorreu há menos de duas semanas, a Famurs ainda não divulgou balanços oficiais de adesão ou de impacto econômico da campanha do leite. A entidade, no entanto, segue disponibilizando materiais e orientações aos municípios interessados, reforçando o baixo custo de implementação como fator que facilita a replicação da iniciativa em todo o Estado.






