Por anos, quem produzia leite no Ceará conhecia bem o mesmo obstáculo: para que uma amostra fosse analisada e cumprisse as exigências regulatórias, era preciso enviá-la para laboratórios nas regiões Sul ou Sudeste do Brasil.
O trajeto significava tempo, custo logístico e um risco que qualquer produtor de lácteos sabe medir bem — o de perder a validade de uma análise por atraso no transporte.
Essa realidade começou a mudar nesta quarta-feira (05/08), quando a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), por meio do SENAI Ceará, inaugurou a nova estrutura de Laboratórios de Alimentos e Bebidas do Centro de Serviços Industriais (CSI) Prof. Ariosto Holanda, em Maracanaú. O investimento acumulado na área de alimentos já passa de R$ 6 milhões.
Entre os quatro laboratórios que compõem o novo complexo — Pesquisa e Desenvolvimento de Alimentos, Microbiologia de Alimentos e Físico-química de Alimentos e Bebidas — está um que interessa diretamente à cadeia leiteira: o Laboratório de Qualidade do Leite, dedicado aos ensaios microbiológicos e de composição química do leite cru.
A estrutura já foi projetada para futura integração à Rede Brasileira de Laboratórios de Controle da Qualidade do Leite (RBQL), o que deve permitir que essas análises passem a ser feitas dentro do próprio Ceará.
O gerente do Centro de Serviços Industriais, Carlos Mesquita, resumiu o efeito esperado: menos custo logístico, mais velocidade nas análises e produtos mais competitivos para quem hoje precisa esperar por resultados vindos de fora do estado.
A homenagem ao setor lácteo não ficou só na estrutura física. O novo Laboratório de Qualidade do Leite recebeu o nome de José Antunes Fonseca da Mota, presidente do Sindlacticínios-CE, em reconhecimento à sua contribuição para o fortalecimento da cadeia de lácteos cearense. Durante a cerimônia, o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, lembrou que a criação da estrutura partiu de uma demanda apresentada pelo próprio setor produtivo.
José Antunes definiu a data como a realização de um pedido antigo do sindicato. Segundo ele, a cadeia leiteira nordestina passará a contar, dentro do Ceará, com serviços que antes exigiam deslocamento — com ganhos de agilidade, economia e qualidade que, em suas palavras, beneficiam desde os pequenos laticínios até toda a indústria de alimentos.
O momento também é estratégico para o setor como um todo. A indústria de alimentos e bebidas é hoje a maior da indústria brasileira, com um faturamento de R$ 1,39 trilhão em 2025 — cerca de 11% do PIB nacional e mais de 2,1 milhões de empregos diretos. No Ceará, o segmento produziu R$ 19,6 bilhões no mesmo período, reúne aproximadamente 1,5 mil empresas e gera mais de 52 mil empregos formais, sendo o segundo maior conjunto industrial do estado.
O diretor regional do SENAI Ceará, Paulo André Holanda, destacou o salto na capacidade de prestação de serviços tecnológicos da instituição nos últimos anos: de cerca de R$ 6 milhões em 2021 para R$ 38 milhões no ano passado, somando consultorias, serviços tecnológicos e inovação.
Ao todo, 13 sindicatos industriais devem ser beneficiados diretamente pela nova estrutura, entre eles o próprio Sindlacticínios, além de entidades ligadas a bebidas, panificação, café, cajueiro, massas, trigo, sal, óleo, frios e embalagens — um espectro que reforça o papel do complexo como ponto de apoio para toda a indústria alimentícia do estado.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Federação das Indústrias do Estado do Ceará






