ESPMEXENGBRAIND
9 abr 2026
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9 abr 2026
Acordo com Greenpeace leva retirada de rótulo e redefine comunicação ao consumidor 🧾
Grass Fed manteiga
Mudança na rotulagem expõe sensibilidade do mercado a alegações de alimentação 🐄

A rotulagem “Grass Fed” entra no centro da decisão estratégica após a Fonterra reconhecer que a combinação com “100% New Zealand” pode induzir o consumidor ao erro, levando à retirada do rótulo de sua manteiga Anchor no mercado neozelandês.

O caso, iniciado por uma ação da Greenpeace em 2024, foi resolvido com um acordo que encerra a disputa judicial e impõe um ajuste direto na comunicação da empresa. O ponto crítico não foi o uso isolado de “Grass Fed”, mas a associação simultânea com “100% New Zealand”, considerada capaz de gerar interpretações equivocadas, especialmente entre consumidores menos familiarizados com a dieta real dos rebanhos leiteiros.

Na prática, a Fonterra admite que a combinação dos termos poderia sugerir um sistema alimentar totalmente baseado em pasto, quando, na realidade, a dieta das vacas inclui também insumos suplementares, como o palm kernel expeller (PKE), um alimento importado. Esse descompasso entre percepção e prática produtiva é o núcleo do conflito regulatório e reputacional.

A resposta operacional foi direta. A empresa removeu o rótulo das embalagens e se comprometeu a não reutilizá-lo. Ao mesmo tempo, preserva o uso do termo “Grass Fed” de forma isolada, sustentando que essa alegação, por si só, não foi objeto da contestação e continua alinhada com os critérios nacionais.

O contexto regulatório reforça esse posicionamento. A Nova Zelândia possui um padrão administrativo nacional que define os requisitos para certificação de sistemas “Grass Fed”. Dentro desse marco, a própria Fonterra informa que suas vacas são alimentadas em média 96% com base em pasto, considerando uma definição que inclui gramíneas, silagem, feno e culturas forrageiras. Esse percentual é calculado como média entre os rebanhos e com base no consumo efetivo.

O episódio evidencia um ponto sensível para a cadeia láctea. A comunicação de atributos produtivos, especialmente aqueles associados a sustentabilidade, naturalidade ou origem, exige precisão técnica e coerência com a percepção do consumidor. A combinação de claims, ainda que individualmente defensáveis, pode alterar o entendimento final e gerar risco regulatório.

Para o empresário do setor, o impacto é claro. Não se trata apenas de conformidade legal, mas de gestão de narrativa de produto. A forma como atributos são apresentados pode influenciar diretamente a confiança do consumidor e a exposição a questionamentos. A padronização técnica existe, mas não elimina a necessidade de consistência na comunicação.

O caso também reforça a importância de alinhar marketing, produção e regulação. A existência de um padrão nacional para “Grass Fed” não impediu o conflito, indicando que o desafio está na tradução desses critérios para o rótulo de forma inequívoca.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de EDairy News English

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