O monitoramento digital do rebanho deixou de ser uma iniciativa restrita a propriedades específicas para ganhar escala dentro da Frísia Cooperativa Agroindustrial.
Atualmente, o Projeto Monitore acompanha 23,5 mil vacas distribuídas em 109 propriedades do Paraná, alcançando mais de 50% dos produtores de leite da cooperativa e propriedades responsáveis por aproximadamente 68% do volume diário entregue à indústria.
A iniciativa integra o programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e utiliza inteligência artificial para acompanhar continuamente indicadores relacionados à saúde, reprodução, nutrição e conforto térmico dos animais.
O avanço do projeto está associado não apenas à tecnologia empregada, mas também ao modelo adotado para viabilizar sua implementação. A cooperativa subsidiou parte dos investimentos necessários em infraestrutura, incluindo a instalação de antenas nas propriedades. Os cooperados participantes passaram a pagar uma mensalidade por animal monitorado equivalente a cerca de um terço do valor praticado no mercado.
Segundo a Frísia, a decisão de implantar o sistema foi construída em conjunto com os produtores por meio do Comitê Pecuário. A participação não está vinculada ao porte da propriedade, mas à adesão ao projeto.
O monitoramento é realizado por colares eletrônicos instalados em vacas das raças Holandesa e Jersey em lactação, no período seco e também em novilhas com 30 dias pré-parto. Os dispositivos registram informações relacionadas à movimentação, ruminação, frequência e tempo de consumo, períodos de descanso e padrões de ofegação.
Os dados captados são enviados para antenas instaladas nas fazendas e processados em uma plataforma digital acessível tanto aos produtores quanto à equipe técnica da cooperativa, inclusive por meio de dispositivos móveis.
De acordo com a cooperativa, os primeiros impactos percebidos ocorreram nas áreas de reprodução e saúde animal. A identificação do cio passou a ocorrer com maior precisão por meio de alertas emitidos pelo sistema, reduzindo a dependência exclusiva da observação visual para definir o momento adequado da inseminação.
Outro resultado destacado é a capacidade de identificar alterações de comportamento antes do surgimento de sinais clínicos visíveis. A antecipação dessas ocorrências permite a adoção de medidas preventivas e intervenções mais rápidas, favorecendo o acompanhamento sanitário dos animais.
Ao alcançar mais da metade de sua base de produtores e concentrar quase sete em cada dez litros entregues à indústria, o Projeto Monitore mostra como a combinação entre apoio à adoção tecnológica e monitoramento contínuo pode ampliar o alcance de ferramentas voltadas à gestão preventiva do rebanho dentro de sistemas cooperativos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por D’PontaNews






