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6 nov 2026
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Entre a composição do leite e as exigências de remuneração da indústria, a escolha da gordura na dieta ganhou peso. E o calor entra nessa conta.
gordura
Dieta, fonte de energia e conforto térmico influenciam a produção e a composição do leite.

A gordura do leite deixou de ser apenas um número no laudo para virar um critério que o produtor precisa perseguir.

Ao lado do volume, composição e qualidade entram na conversa sobre remuneração da indústria de laticínios, e a nutrição é um dos caminhos para responder a essa exigência. É nesse contexto que a Cargill Nutrição e Saúde Animal lançou o Nutri Gordura Lac Ultra, nova gordura protegida para vacas leiteiras.

A discussão técnica gira em torno do tipo de ácido graxo. Pesquisas em nutrição animal indicam que cada um influencia de forma distinta a produção, a composição do leite e o aproveitamento dos nutrientes pelas vacas. Por isso, segundo Renan Bagio, consultor nacional de Especialidades e Micronutrição da empresa, a escolha da fonte de gordura deve partir dos objetivos produtivos de cada propriedade.

O novo suplemento aposta em maior concentração de ácido palmítico, equilibrada com ácido oleico. Por ser uma gordura protegida, apresenta baixo grau de dissociação em diferentes faixas de pH do rúmen, característica que contribui para preservar a gordura durante a digestão. Ele complementa o Nutri Gordura Lac, solução presente há mais de 15 anos nas propriedades brasileiras, que compartilha essa característica.

Os números vêm de uma análise conjunta de estudos científicos publicados desde 2010 sobre suplementação de gorduras, realizada pela própria Cargill. Com inclusão equivalente a 1% da matéria seca da dieta, o Ultra teria potencial de acrescentar 2,3 litros de leite e 0,13 kg de gordura por vaca ao dia. Para o produto original, na mesma proporção, o potencial calculado é de 2,7 litros por vaca ao dia e de 6% de ganho em eficiência alimentar, indicador que relaciona o leite produzido ao alimento consumido.

São estimativas da empresa, e a própria Cargill ressalva que os resultados dependem das características do rebanho, da composição da dieta e dos objetivos de cada propriedade. Os indicadores divulgados para cada produto também não são os mesmos, o que impede uma comparação direta entre eles.

Há ainda um argumento ligado ao clima. A gordura fornece energia sem gerar calor durante a fermentação ruminal, característica que pode ser relevante em períodos de temperaturas elevadas, quando o estresse térmico compromete o desempenho das vacas leiteiras.

Para o produtor, a questão que o lançamento recoloca é menos a marca e mais o critério: que resultado se espera da dieta — mais volume, mais gordura, mais eficiência — e qual fonte de energia responde a esse objetivo dentro da realidade do rebanho.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Feed & Food

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