A geração de ICMS do leite a partir da produção vinculada à Coopermil atingiu R$ 34.569.171,05 em 2025, redefinindo o fluxo de receita entre municípios produtores.
O resultado não se limita ao volume entregue à indústria, mas ao valor agregado gerado no processo de industrialização, que retorna às cidades de origem da matéria-prima.
O mecanismo é direto: mais de 100 milhões de litros produzidos pelos associados foram integralmente destinados à industrialização pela CCGL, em Cruz Alta. A partir dessa transformação, o valor adicionado de ICMS industrial passa a compor o índice de participação municipal, influenciando o rateio dos recursos estaduais. Na prática, produção se converte em arrecadação e reposiciona financeiramente os municípios dentro do sistema.
O impacto não é homogêneo. Santo Cristo lidera com R$ 7.692.122,16, seguido por Tuparendi, com R$ 4.704.658,40. Na sequência aparecem Cândido Godói, São Pedro do Butiá e Santa Rosa, todos acima de R$ 1,7 milhão. Esse ranking reflete diretamente o volume de leite produzido e entregue, evidenciando a relação linear entre escala produtiva e retorno fiscal.
Para o empresário da cadeia láctea, o dado central é a materialização do valor industrial no território de origem. O convênio entre os municípios da região e a prefeitura de Cruz Alta assegura que o ICMS gerado não permaneça apenas no polo industrial, mas seja redistribuído conforme a produção. Isso cria um incentivo estrutural à formalização, ao aumento de escala e à regularidade de fornecimento.
Outro ponto relevante é o peso da Coopermil dentro desse arranjo. A cooperativa respondeu por mais de 20% do leite industrializado pela CCGL em 2025, sendo a principal fornecedora de matéria-prima no período. Esse protagonismo operacional indica capacidade de coordenação entre produtores e indústria, um fator que influencia diretamente a geração de valor fiscal.
A distribuição detalhada entre municípios mostra uma base produtiva ampla, com valores que vão de R$ 7,6 milhões até pouco mais de R$ 41 mil. Ainda que concentrado nos maiores produtores, o efeito do ICMS alcança um conjunto significativo de cidades, ampliando o impacto territorial da atividade leiteira.
No conjunto, o resultado reforça um ponto crítico para a cadeia: o leite não apenas gera receita privada na porteira, mas também sustenta finanças públicas locais via industrialização. A conexão entre produção, processamento e retorno fiscal evidencia que decisões produtivas têm desdobramentos diretos na estrutura econômica regional.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Jornal Noroeste






