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28 jul 2026
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🥛 Uma troca de comando no principal conselho do leite mineiro reacende um debate que incomoda produtores há anos.
A cadeia do leite mineiro tem novo nome à frente de um conselho que decide o quanto a indústria paga ao produtor.
A cadeia do leite mineiro tem novo nome à frente de um conselho que decide o quanto a indústria paga ao produtor.

A cadeia produtiva do leite em Minas Gerais, o maior estado produtor do país, tem uma nova liderança em um dos espaços mais sensíveis de sua governança:

O Conselho Paritário entre Produtores de Leite e Indústrias de Laticínios de Minas Gerais, o Conseleite-MG. O Sistema Ocemg retorna à presidência do conselho, cargo que ocupa em regime de rotatividade com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e o Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg).

A nova presidente é Isabela Pérez, gerente-geral e de Relações Institucionais do Sistema Ocemg, que já havia ocupado o cargo entre 2023 e 2024.

O Sistema Ocemg integra o conselho desde sua fundação, em dezembro de 2018, e Minas Gerais é o único estado em que a organização das cooperativas tem assento na diretoria desse conselho paritário — um detalhe que, segundo a nova gestão, evidencia o peso político das cooperativas na mesa de negociação entre campo e indústria.

O momento da troca de comando não é neutro. Desde 2009, o Brasil convive com desequilíbrio na balança comercial de leite e derivados, com avanço da entrada de produtos estrangeiros no mercado interno, sobretudo leite em pó. Representantes da cadeia produtiva apontam que essa concorrência ocorre em condições desiguais, especialmente diante de políticas de incentivo à exportação praticadas por países vizinhos.

Para a nova presidente do Conseleite-MG, esse é justamente um dos temas centrais da gestão que se inicia: a importação de leite em pó e queijos, majoritariamente originários da Argentina e do Uruguai, é apontada como um dos principais pontos de atenção, por afetar a valorização do leite nacional e o ganho de mercado do produto brasileiro e mineiro.

O cenário de pressão externa se combina com custos internos crescentes. Ração, suplementação animal, logística e carga tributária elevada compõem o quadro de dificuldades enfrentado pelos produtores. O resultado já aparece nos números oficiais: de acordo com os dois últimos Censos Agropecuários, o número de pecuaristas que comercializam leite caiu 32% em pouco mais de uma década, e em Minas Gerais quase 29 mil produtores deixaram a atividade no período.

É nesse contexto que a nova presidência do Conseleite-MG define suas prioridades de atuação. Entre elas está o fortalecimento do diálogo setorial, com foco na valorização do produto, na segurança dos produtores e no aperfeiçoamento da ferramenta de referência utilizada pelo conselho — instrumento que mede a capacidade de pagamento da indústria.

Segundo Isabela Pérez, o objetivo é que essa métrica seja cada vez mais precisa e compatível com a diversidade produtiva do estado. Outra frente destacada pela gestora é a ampliação da participação do varejo nas discussões da cadeia, sob o argumento de que envolver todos os elos — da produção ao supermercado — é condição para dar mais equilíbrio ao setor.

O papel político do cooperativismo é apresentado como parte da resposta a esse cenário. Para a nova presidente, as cooperativas ocupam posição estratégica por reunirem, simultaneamente, o olhar do produtor rural e a lógica empresarial da atividade, o que ajuda a equilibrar interesses dentro da cadeia. Na prática, as cooperativas atuam na captação e industrialização do leite, na assistência técnica, no acesso ao crédito, na melhoria da produtividade e na agregação de valor ao produto.

A dimensão econômica do setor ajuda a entender por que a disputa pela governança do Conseleite-MG importa. A cadeia produtiva do leite está presente em 98% dos municípios brasileiros, gera cerca de 4 milhões de empregos no país e tem forte participação da agricultura familiar. Em Minas Gerais, 216 mil propriedades rurais se dedicam à atividade leiteira, e um em cada cinco litros produzidos no estado passa por cooperativas.

Diante desse peso, o Sistema Ocemg também avança em uma frente institucional paralela. Ao lado da Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR) e de outras instituições do setor, iniciou a construção de um plano estratégico para fortalecer a cadeia do leite mineira, com foco em profissionalização, competitividade, sustentabilidade, abertura de novos mercados e valorização da produção nacional.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Sistema Ocemg

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