ESPMEXENGBRAIND
7 jan 2026
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🌱 Iniciativa pioneira em São Paulo leva leite A2 certificado a escolas, unidades de saúde e assistência social.
🔬 Com base científica, município paulista amplia acesso ao leite A2 para pessoas com sensibilidade digestiva.
🔬 Com base científica, município paulista amplia acesso ao leite A2 para pessoas com sensibilidade digestiva.

O leite A2 passou a integrar de forma estruturada as políticas públicas de alimentação em Novo Horizonte, município do interior paulista que se tornou referência estadual ao distribuir gratuitamente essa variedade à população.

A iniciativa, apoiada tecnicamente pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), já beneficiou cerca de 5 mil moradores e garantiu a entrega de mais de 13 mil litros do produto, segundo dados oficiais do município.

O projeto é considerado pioneiro no Estado por unir ciência, certificação genética e políticas sociais. O diferencial está no controle rigoroso da origem do leite A2, obtido exclusivamente de vacas que produzem a beta-caseína A2, proteína que não gera a beta-casomorfina 7 (BCM-7) durante a digestão. Esse peptídeo, associado ao leite convencional A1, é apontado por pesquisadores como potencial fator de risco para desconfortos gastrointestinais em parte da população.

De acordo com o prefeito de Novo Horizonte, Fabiano Belentani, a parceria com o Instituto de Zootecnia foi decisiva para dar escala e segurança ao projeto. Segundo ele, o IZ disponibilizou estrutura e expertise para a identificação genética das vacas, a classificação entre A1 e A2 e a aferição da qualidade e pureza do leite. Esse processo permitiu a certificação do produto e trouxe confiança ao consumidor final.

Inicialmente, o fornecimento do leite A2 foi direcionado aos alunos da rede municipal de ensino. Com os resultados positivos, a iniciativa foi ampliada para outros setores estratégicos, incluindo unidades de saúde e programas de assistência social. Atualmente, o produto integra a merenda escolar, o atendimento a pacientes crônicos e idosos e o suporte alimentar a famílias em situação de vulnerabilidade.

Entre os relatos que reforçam o impacto social do projeto está o de Fátima Aparecida, moradora do município. Após passar por uma cirurgia delicada em decorrência de um câncer de intestino, ela enfrentou dificuldades para consumir leite convencional. Segundo seu depoimento, apenas com o leite A2 foi possível retomar o consumo sem episódios de diarreia, cólicas ou dores abdominais, o que representou uma melhora significativa na qualidade de vida.

Do ponto de vista científico, o pesquisador Aníbal Eugênio Vercesi Filho, diretor da Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Genética e Biotecnologia do IZ, explica que a diferença entre os tipos de leite está no comportamento das proteínas durante a digestão. Ele ressalta que, no caso da beta-caseína A1, a digestão pode gerar a BCM-7, associada à inflamação das mucosas gástrica e intestinal em indivíduos sensíveis. Já no leite A2, esse peptídeo não é formado.

Estimativas indicam que uma parcela relevante dos brasileiros apresenta algum grau de sensibilidade digestiva ao consumir leite. Embora isso não se confunda com intolerância à lactose, o quadro pode gerar sintomas recorrentes e levar à exclusão do alimento da dieta. Nesse contexto, o leite A2 surge como alternativa para consumidores que buscam melhor tolerabilidade sem abrir mão do valor nutricional do leite.

A nutricionista Sizele Rodrigues, da Diretoria de Segurança Alimentar da Secretaria de Agricultura, destaca que reações adversas às proteínas do leite são comuns nos primeiros anos de vida, especialmente nos casos de alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Ela pondera que os estudos sobre o leite A2 apresentam resultados promissores, mas reforça a importância da continuidade das pesquisas para consolidar evidências. Ainda assim, observa que essa variedade pode contribuir para menor inflamação e melhor digestibilidade em pessoas sensíveis.

Paralelamente ao projeto de distribuição, o Governo de São Paulo mantém políticas de incentivo à pecuária leiteira. Por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), a linha de crédito Leite Agro SP apoia a modernização da atividade, com foco em genética, nutrição e infraestrutura. Em 2025, mais de 60 produtores foram beneficiados, fortalecendo a competitividade do setor no Estado.

Outro instrumento relevante é o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS), que permite ao poder público adquirir alimentos diretamente da agricultura familiar. O leite integra a lista de produtos contemplados e, apenas neste ano, as compras públicas superaram R$ 53 milhões, ampliando renda no campo e garantindo abastecimento para programas sociais.

A experiência de Novo Horizonte evidencia como ciência, política pública e produção leiteira podem caminhar juntas. Ao inserir o leite A2 em estratégias de alimentação e saúde, o município não apenas amplia o acesso a um alimento diferenciado, como também inaugura um modelo replicável para outras regiões do país.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de O Presente Reural

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